Editorial: Ouça o povo iraniano

Nos últimos quatro anos, o Conselho de Segurança da ONU exigiu repetidamente que o Irã deixasse de produzir combustível nuclear. O Irã ainda produz urânio enriquecido e agora revelou aos inspetores da ONU que está elevando o nível deste enriquecimento - chegando um pouco mais perto do que seria considerado necessário para a produção de bombas.

The New York Times |

O presidente Barack Obama tinha razão quando abriu as portas à Teerã para negociações. Washington e seus aliados tinham razões em buscar um possível acordos mesmo depois que Teerã foi - novamente - flagrada escondendo uma usina de enriquecimento.

Agora chega. O Irã precisa entender que sua ambição nuclear vem com um preço muito alto.

Obama disse na terça-feira que os Estados Unidos e seus aliados estão "agindo rapidamente" sobre a resolução de novas sanções. Ele também disse que levaria várias semanas para traçar uma proposta. Isso não é tranquilizador. Quando uma resolução é escrita, o processo de negociação geralmente se arrasta durante semanas, se não meses.

O Irã passa por tamanho tumulto econômico e político que seu governo pode estar mais vulnerável à pressão externa agora. As forças de segurança locais ampliaram as ações contra a oposição política, prendendo centenas de pessoas antes do aniversário da revolução iraniana na quinta-feira.

As autoridades americanas dizem estar ansiosas para impor sanções que infligiriam dano máximo ao Corpo de Exército da Guarda Revolucionária Islâmica, que coordena o programa nuclear e grande parte da economia iraniana.

O plano, como nós o entendemos, irá bloquear suas contas bancárias, remessas de dinheiro e qualquer tipo de seguro. Autoridades americanas também afirmam que querem minimizar o sofrimento adicional do povo iraniano. Isso faz sentido para nós, embora não será fácil determinar quem é quem.

Se o Conselho de Segurança quer seguir adiante com sanções eficientes, Washington e seus aliados vão ter que aumentar a pressão para que Rússia e China - dois habilitadores do Irã, ambos com poder de veto - participem.

A Rússia deu sinais de apoio a outra resolução. Se a história serve de guia, nós tememos que a Rússia limitará nitidamente o impacto do plano. A China, ansiosa em comprar mais petróleo do Irã, é um obstáculo maior do que nunca. A China precisa entender que garantir o fornecimento seguro de petróleo se tornará muito mais difícil se o Oriente Médio for desestabilizado por um Irã com armas nucleares.

Quanto mais o Conselho de Segurança contemporizar, aceitar e enfraquecer as resoluções, mais desafiador e ambicioso o Irã se tornará. Se o Conselho de Segurança não pode agir rapidamente ou decisivamente, os Estados Unidos e seus aliados terão que propor suas próprias sanções. Eles deveriam estar delineando um plano secundário agora mesmo.

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