Editorial: Os próximos passos depois do pacote de estímulo

Ainda que esteja fora do alcance de qualquer projeto de lei lidar com a piora na recessão, o pacote de estímulo e recuperação de US$789 bilhões que o Congresso aprovou esta semana pode ter conseguido mais do que isso.

The New York Times |

O projeto é, em grande parte, um passo na direção certa. Mas as disputas políticas, inclusive a fútil busca de bipartidarismo do presidente Barack Obama, o tornou menor e menos concentrado do que precisava ser.

É especialmente lamentável que os atrasos políticos de Washington tenham incluído US$70 bilhões para o alívio ao imposto mínimo alternativo. O alívio é necessário, mas não tem nenhuma relação com o estímulo ou recuperação que o país precisa. Esta é uma questão perene com a qual o Congresso deveria lidar em outro projeto. Ao incluí-la no pacote de estímulo (e se manter abaixo de um autoimposto limite de US$800 bilhões) os legisladores tiveram que abandonar medidas muito mais eficientes, como a ajuda aos Estados para educação e saúde.

Ainda assim, há mérito no projeto. Ele amplia de forma significativa o financiamento para benefícios aos desempregados e cupons para a compra de alimentos, geralmente a forma mais poderosa e eficiente de estímulo. Além disso, ajuda alguns desempregados a arcarem com assistências médicas e amplia significativamente o número de famílias de baixa renda que podem se qualificar para créditos fiscais de até US$1,000 por filho. Por fim, ele paga por estradas, pontes e outros projetos.

A versão final também abandonou algumas das propostas mais dispendiosas dos republicanos do Senado, como os US$39 bilhões para o crédito fiscal aos donos de imóveis que não serviria de nada para pessoas que já estão preparadas para comprar uma casa.

Isso dito, o pacote é projetado para impulsionar a demanda o suficiente para criar cerca de 3.5 milhões de empregos. Mas o número não é suficiente. A economia tem cerca de 5 milhões de empregos a menos do que o que precisa atualmente. Ainda assim, poderá se preparar para o que deve ser uma queda difícil.

A questão real é o que a gestão Obama fará em seguida. A menos que o estímulo seja acompanhado por um esforço igualmente bem-sucedido de evitar as desapropriações e estabilizar os bancos, os preços das casas continuarão a despencar e o crédito restringido será alto demais para se sobrepujar.

Infelizmente, depois de uma apresentação desestruturada de seus planos de resgate esta semana, oficias da gestão provavelmente precisarão de algumas semanas para desenvolver uma proposta coerente (e semanas depois disso para implementá-la).

Eles não precisam, e não devem, esperar para dar início a um esforço de prevenção das desapropriações, mas não se sabe se a equipe de Obama entende o tamanho do esforço necessário. No começo desta semana, o secretário do Tesouro Timothy Geithner sugeriu que cerca de US$50 bilhões do fundo de resgate sejam usados para se evitar as desapropriações. Este é o mínimo de uma estimativa que variou muito. 

A gestão também parece estar agindo de forma evasiva em relação a seu apoio à aprovação da nova lei que permitirá que proprietários de imóveis falidos possam modificar suas hipotecas sob proteção judicial.

Para ser poderoso, um esforço antidesapropriações deve incluir subsídios aos juros, que facilitariam que acordos sobre os empréstimos, bem como a opção de falência imposta por um juiz que levará a um acordo sobre a hipoteca para evitar desapropriações desnecessárias.

O próximo passo da gestão para avançar seus objetivos econômicos deve ser o primeiro orçamento de Obama. O novo presidente deve parar de cortejar republicanos que não mostraram nenhum interesse em acordos ou em ajustes econômicos reais.

A resolução do orçamento é imune às táticas obstrucionistas. Se todo republicano quer votar contra ela, Obama deve deixá-los explicar esta decisão aos eleitores que estão em risco de perder seus empregos ou suas casas ou ambos.

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