Editorial: Os próximos passos de Obama em relação à Coreia do Norte

Enviar um ex-presidente para garantir a libertação de duas jornalistas detidas pela Coreia do Norte foi um grande passo, mas a viagem de Bill Clinton terá valido o esforço caso tenha preparado o terreno para negociações realmente produtivas em relação ao programa nuclear daquele país. Agora, caberá ao presidente Barack Obama deixar claro a Pyongyang que já não basta fazer promessas apenas para quebra-las.

The New York Times |

Mesmo antes da missão de Clinton esta semana para resgatar Laura Ling e Euna Lee de uma sentença de 12 anos nos campos de trabalhos forçados da Coreia do Norte, oficiais da gestão Obama concluíram que Pyongyang está em busca de um relacionamento com Washington para manter as aparências.

A Coreia do Norte cometeu um erro colossal ao começar errado com a gestão Obama, que lhe ofereceu o tipo de diálogo que o presidente George W.  Bush levou tempo demais para abraçar. Os coreanos do Norte responderam quebrando seis grandes acordos entre os países, conduzindo um segundo teste nuclear e disparando mísseis.

Eles também prometeram fazer mais armas nucleares e ameaçaram ação militar contra esforços de isolar o país, e podem ter retomado a produção de combustível nuclear. Há crescente preocupação sobre a possibilidade de Pyongyang vender projéteis e outras tecnologias a outros países.

Não sabemos detalhes das reuniões de Clinton, mas esperamos que levem a negociações futuras. Isto representa um desafio para Obama: ainda que deva usar esta abertura, o presidente não pode estar tão desesperado para uma negociação que deixe a Coreia do Norte determinar todas as condições.

Obama acertou ao dizer à rede MSNBC na quarta-feira que a missão de Clinton não havia aliviado a necessidade da Coreia do Norte mudar seu comportamento se quiser um "caminho para relações melhores".

Para começar, isso significa não ceder aos desejos de Pyongyang de fazer as negociações um processo bilateral com Washington. É imperativo manter Coreia d Sul, Japão, China e Rússia (participantes fundamentais em qualquer acordo efetivo) envolvidos. Oficiais de Washington e Pyongyang ainda podem se encontrar separadamente, como fizeram sob Bush.

Mais importante, os Estados Unidos e seus aliados precisam deixar claro que as expectativas são que mais altas do que antes (que a Coreia do Norte não será recompensada novamente simplesmente por se comprometer a manter promessas que já foram quebradas e provavelmente voltarão a ser). Passos futuros para o desarmamento devem ser irreversíveis.

Por causa de um acordo de 2005, a Coreia do Norte fechou seu reator em Yongbyon (fonte de plutônio de suas armas nucleares)  e prometeu desmantelar sua infra-estrutura de fabricação de bombas. Desde então, o país expulsou inspetores internacionais e diz estar reconstruindo e retomando sua capacidade nuclear. Um modo para fazer a desativação mais permanente: colocar concreto sobre o reator.

Os Estados Unidos e seus aliados também têm que restabelecer sua credibilidade; a Coreia do Norte nunca recebeu todo o  combustível prometido no acordo de 2005. Porém, ao mesmo tempo, Washington e seus aliados precisam continuar a manter as sanções impostas pelo Conselho de Segurança a Pyongyang em junho.

É compreensível a dúvida de que a empobrecida Coreia do Norte algum dia abandonará seu programa nuclear (sua única forma de influência sobre o resto do mundo). Mas um envolvimento paciente e firme, apoiado por sanções, oferece o melhor caminho para uma solução pacífica, por mais tortuosa que seja.

Leia mais sobre Coreia do Norte

    Leia tudo sobre: coréia do norte

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG