Editorial: Os próximos 60 dias do resgate financeiro

Um mês depois da aprovação do resgate financeiro de US$700 bilhões da gestão Bush, o plano se tornou tão fragmentado quanto os pacotes improvisados que deveria substituir. Como resultado disso, a melhoria modesta que gerou inicialmente nos mercados de crédito agora foi revertida por causa das dúvidas sobre a liderança do Tesouro.

The New York Times |

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Os índices de empréstimos entre bancos começaram a aumentar e os custos para os consumidores que precisam de financiamento também (assumindo que eles encontrem um banco disposto a emprestar).

A equipe de transição do presidente eleito Barack Obama supostamente está planejando como a nova gestão irá gerenciar melhor o resgate. Mas dois meses é muito tempo para esperar enquanto o Tesouro de Bush queima os bilhões do pacote, com pouco a mostrar em termos de melhoria na estabilidade e ainda menos em questão de confiança.

Na semana passada o secretário do Tesouro Henry M. Paulson Jr.
delineou uma nova e complexa estratégia para promover o empréstimo para os consumidores. Paulson defendeu esta última medida dizendo que não iria se desculpar por mudar de postura conforme a realidade mudasse. Mas não é surpresa que todos os demais envolvidos se sintam traídos.

Antes mesmo do resgate ter início em outubro, Paulson teve que mudar sua estratégia original (comprar os investimentos ruins dos bancos) porque, ele percebeu rapidamente, isso seria complexo demais e não resultaria na injeção de ânimo que o mercado financeiro precisava.

Ele indicou que retomaria esta estratégia mais tarde, mas que para dar andamento ao resgate, optava por investir diretamente US$250 bilhões nos bancos do país. Isso foi necessário, mas gerou dúvidas sobre a capacidade do Tesouro de lidar com o problema (temor que os mercados não precisam).

Desde então, as dúvidas aumentaram consideravelmente entre os investidores e o público. Paulson investiu o dinheiro dos contribuintes sob termos tão facilitados que os bancos se sentiram livres para acumular ou comprar outros bancos (e ainda recusar empréstimos ao consumidor e pequenas empresas).

Ele direcionou outros US$40 bilhões do fundo para a AIG, financiadora irresponsável que já havia recebido US$85 bilhões em assistência federal. Caso as autoridades oficiais do governo saibam para onde o dinheiro está indo, elas não têm compartilhado essa informação com o público.

Na semana passada Paulson desapontou os investidores ao abandonar o plano de comprar os investimentos ruins dos bancos. Ao invés disso, ele ampliou o resgate para que incluísse o investimento de dinheiro em companhias financeiras não bancárias, como a GMAC, braço financiador da General Motors, além de outras unidades de financiamento das automobilísticas. Ele também anunciou que o Tesouro e o Federal Reserve consideram um plano para usar o dinheiro dos contribuintes para impulsionar o empréstimo de cartões de crédito, para veículos e pagamento de instituições de ensino. O Fed rapidamente disse que o plano ainda está em fase de desenvolvimento.

A única medida que Paulson teimosamente se recusa a considerar é usar o dinheiro do resgate para ajudar a evitar as desapropriações. Sua lógica (que o dinheiro deve ser usado apenas para estabilizar o sistema financeiro) inexplicavelmente ignora o fato da instabilidade que ele busca resolver estar enraizada no problema imobiliário.

Nos próximos dois meses, Paulson precisa impor alguma coerência e clareza ao resgate. Caso contrário, ele irá apenas aumentar a ansiedade e desconfiança, que prejudicarão a eficácia de suas boas decisões e aumentarão a precipitação das ruins. Com os mercados agindo descontroladamente e a economia deteriorando rapidamente, o país precisa de liderança clara e um plano são.

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