Mais de 500 mil pessoas perdem o emprego diariamente. Companhias caem à direita e à esquerda. Milhares de donos de imóveis enfrentam a desapropriação todos os dias. Uma pessoa razoável questionaria: nós estamos em depressão?

Oficiais do governo dizem que não. Assistentes do primeiro-ministro Gordon Brown, da Grã-Bretanha, agiram rapidamente para reverter a situação depois que ele sugeriu que um estímulo fiscal seria necessário para tirar o mundo de uma "depressão". Estes assistentes disseram que tudo não passou de um deslize pronunciado.

Quando o chefe do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, sugeriu que o mundo rico já vivia a "Grande D", Lawrence Summers, principal conselheiro econômico do presidente Obama, retrucou: "Nós estamos em uma situação realmente diferente disso".

Janet Yellen, presidente do Banco Federal Reserve de São Francisco, chegou perto do precipício e voltou: "Nós temos as mesmas dinâmicas que acontecem em uma depressão", ela disse. "Mas isso não é uma depressão".

As autoridades estão assustadas, é claro. Uma profunda queda econômica é uma daquelas coisas, nas palavras de FDR, com as quais o próprio medo se assusta. Dizer às pessoas que elas já vivem uma depressão provavelmente causaria pânico, tornando ainda mais difícil nos tirar desta confusão.

Felizmente, a palavra "D" por si só oferece uma saída fácil. Ao contrário das recessões, que são determinadas precisamente em função do desemprego, crescimento e outras coisas do tipo pelo Gabinete Nacional de Pesquisas Econômicas, depressões não têm uma definição contemporânea exata. Depressão é um paralelo histórico ao invés de um termo econômico.

Recessões contínuas costumavam ser chamadas de depressão. Entre as mais famosas está a longa depressão que aconteceu entre 1873 e 1896, que ficou conhecida como a Grande Depressão até a crise dos anos 1930 roubar o título. Para evitar ter que lembrar as pessoas dos problemas econômicos, desemprego de 25% e filas para sopa, a palavra "depressão" foi retirada do uso diário e substituída por recessão.

Alguns economistas estabeleceram regras pessoais desde então. Alan Greenspan disse que uma depressão exige desemprego de 15% entre três e nove meses ou 12% por nove meses ou mais.

Alfred Kahn, economista de Cornell que foi o especialista em inflação durante a gestão do presidente Jimmy Carter nos anos 1970, estabeleceu o limite em desemprego de 10% e dois quadrimestres consecutivos de contração econômica.

Em 1980, o presidente Ronald Reagan disse: "Uma recessão acontece quando seu vizinho perde o emprego. Uma depressão acontece quando você perde o emprego. E recuperação quando Jimmy Carter perde o dele".

Quando eventualmente nos recuperarmos da nossa atual dificuldade, linguistas históricos de mentes semelhantes podem voltar a criar jargões. Podemos até querer numerar as Grandes Depressões, como fazemos com as nossas Grandes Guerras. Ou podemos precisar de novas palavras assustadoras.

No final, nada disso importará. Em 1978, o presidente Carter repreendeu Kahn por alertar em seus discursos que o país arriscava entrar em uma "profunda, profunda depressão" se a inflação continuasse a aumentar. Então Kahn substituiu o termo por "banana". Todos sabiam do que ele falava.

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