Editorial: os gastos do Pentágono

Se nunca tivemos um levantamento formal dos modos irresponsáveis como o Pentágono desperdiça dinheiro, um novo relatório realizado por auditores do governo mostra isso. Vários dos programas de armas mais caros do Pentágono custam bilhões de dólares a mais que o orçamento inicial.

The New York Times |

O presidente Bush e o Congresso já gastaram mais de US$ 600 bilhões com a devastadora guerra do Iraque. Desde que Bush assumiu o poder, a aquisição de armas de fogo pelo Pentágono duplicou de US$ 790 bilhões em 2000 para US$ 1,6 trilhão no último ano.

Agora vemos que a absurda porcentagem desse dinheiro foi destinada a custos da expansão da missão e seu atraso. Mesmo quando o sistema de armas estiver finalizado, dizem os investigadores, ainda terá muitas falhas a serem solucionadas. Um exemplo: o Joint Air to Surface Standoff Missile, Míssil Ar-Superfície de Apoio Combinado, registrou quatro falhas em quatro testes de vôo em 2007.

Dados recolhidos pela Secretaria de Prestação de Contas do Governo mostraram que os 95 principais sistemas de armas de fogo ¿ incluindo mísseis balísticos de defesa, o Joint Strike Fighter e o Littoral Combat Ship ¿ excederam seus orçamentos originais em um total de US$ 295 bilhões nos últimos sete anos. Em 2000, novas armas constituíam 6% dos custos estimados inicialmente; em 2007, esse número saltou para 26%.

Bush e seu ex-secretário de defesa, Donald Rumsfeld, não apenas permitiram que empreiteiros seguissem com sua loucura no Iraque, mas também nos corredores do Pentágono. O escritório de contabilidade geral (GAO) cita a grande confiança do Pentágono nos empreiteiros como uma das razões da incompetência na administração dos programas de aquisição. O Pentágono permite que empreiteiros sugiram estimativas de preços incrivelmente baixos, que desenvolvam um projeto prematuro de novo de sistemas ¿ causando erros de custo que devem ser corrigidos ¿ além de ainda deixar que façam várias mudanças após os projetos já estarem encaminhados, de acordo com analistas do GAO.

Soldados nos campos de batalha pagam um alto preço por esta incompetência, quando armas atrasam ou apresentam falhas, ou quando compras básicas devem ser atrasadas pela falta de verbas disponíveis.

O atual secretário de defesa, Robert Gates, e sua equipe deram um início ao corrigirem as políticas de aquisição, estabelecendo uma comissão de analistas para monitorar as mudanças nos programas de sistema de armas. Contudo, este problema persistirá além da administração de Bush. Gostaríamos de ouvir o que os candidatos à presidência farão em relação a isto. Acabar com a guerra no Iraque é um começo, mas está longe de ser o suficiente.

Seja quem for o vencedor das eleições, este deverá pressionar por uma grande mudança no orçamento para corrigir os danos de tal guerra desastrosa e assegurar que este país está pronto para encarar novos perigos. Para tanto, será necessário muito mais vigilância sobre os custos dos sistemas de armas de fogo, bem como uma imensa coragem para bloquear ou suspender programas de aquisição de altíssimo custo, que não são compatíveis com as ameaças que permeiam o país hoje ou no futuro.

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