Editorial - Os desafios do presidente Barack Obama

Este é um daqueles momentos na história em que é pior parar para refletir sobre os fatos básicos:

The New York Times |

Um americano chamado Barack Hussein Obama, filho de uma mulher branca e um negro que ele mal conheceu, criado por seus avós longe da linhagem americana de poder e dinheiro, foi eleito o 44º presidente dos Estados Unidos.

Mostrando enorme foco e uma certeza silenciosa, Obama primeiro derrotou Hillary Clinton, que perdeu o rumo de tanto desejar a presidência, e depois John McCain, que abandonou seus princípios por uma campanha construída com base na raiva e no medo.

Obama venceu a eleição porque viu o que há de errado com este país: a falha do governo em proteger seus cidadãos. Ele prometeu liderar um governo que não tentará solucionar todos os problemas mas fará o que não estiver ao alcance de cada cidadão: regulamentar a economia de forma justa, manter o ar limpo e os alimentos saudáveis, garantir que os doentes tenham acesso a tratamentos e educar as crianças para competirem em um mundo globalizado.

Obama falou de forma imparcial sobre a falha das políticas republicanas que prometeram elevar todos os americanos, mas deixaram milhões para trás. Ele se comprometeu a acabar com uma guerra sangrenta e desnecessária. Ele prometeu restaurar as liberdades civis dos americanos e a reputação de seu país em todo o mundo. Com uma mensagem de esperança e competência ele atraiu uma legião de eleitores que haviam sido esquecidos, que tinham perdido sua voz.

O legado de Bush é horrível. A nação está envolta em duas guerras (uma necessária no Afeganistão e outra que contraria o bom senso no Iraque). Obama tem razão ao dizer que o Afeganistão é o único fronte de batalha real na guerra contra o terrorismo e que o Pentágono não terá os recursos que precisa para derrotar a Al Qaeda e o Taleban até que as tropas americanas comecem a deixar o Iraque. Seu desafio será fazer isso de forma ordenada sem gerar conflitos regionais.

A campanha começou centralizada na guerra, mas no Dia da Eleição a mente dos americanos estava na economia e na falha do governo em evitar a crise alimentada pela ganância e desregulamentação. Obama terá que agir rapidamente para impor controle, coerência e justiça ao plano de resgate da gestão Bush.

Sua gestão terá que identificar todas as formas como os direitos básicos e valores fundamentais dos americanos foram violados e reverter isso. A mudança climática é uma ameaça mundial e, após anos de negação e imobilidade, este país precisa assumir a liderança para lidar com ela. A nação precisa desenvolver novas tecnologias mais limpas para reduzir os gases causadores do efeito estufa e sua dependência do petróleo estrangeiro.

Felizmente, a campanha se afastou de seu foco ruim em trabalhadores ilegais. Obama terá que reunir uma equipe razoável para buscar uma solução que seja consistente com os valores de uma nação construída por imigrantes e refugiados.

Há muitos outros problemas que precisam ser resolvidos. Milhões de americanos não têm assistência médica, mesmo os cidadãos mais vulneráveis do país - os trabalhadores pobres e seus filhos. Outros americanos mal podem pagar por sua assistência ou correm o risco de perdê-las juntamente com seus empregos. Eles precisam ser protegidos.

Para sobrepujar o desastroso legado de Bush e cumprir suas promessas, Obama precisará do apoio de todos os americanos. Esperamos que ele tenha o apoio de McCain e seu partido. Antes desta campanha suja, nós respeitávamos o senador do Arizona por seu longo serviço ao país e sua disposição de se levantar contra idealistas e não aceitar negociações com oponentes.

Os muitos desafios da nação estão além do alcance de apenas um homem, ou um partido político.

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