Editorial - Organização oferece um milhão de dólares pela melhor carne falsa

A organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta, na sigla em inglês) está oferecendo um prêmio de um milhão de dólares para a primeira pessoa que inventar um método de produção de quantidades viáveis de carne in vitro a preços competitivos até 2012. In vitro ou criada em tubos de teste não são idéias normalmente associadas à criação de carne. O nicho de substituição do alimento é atualmente ocupado pela milagrosa soja, ainda que de forma decepcionante.

The New York Times |

O projeto criou conflito dentro do Peta, onde os funcionários debatem se devem ou não comer tecido animal que nunca tenha feito parte de um animal. Eles terão algum tempo para decidir. Até agora, apenas uma ínfima quantidade de carne foi criada em laboratório - e aguarda a aprovação da idéia por parte dos consumidores.

Nós temos nojo da indústria de carne convencional dos Estados Unidos, que cria animais - especialmente frangos e porcos - em um confinamento desumano que causa danos ambientais significativos. Há muitos motivos para mudar a forma como a carne é produzida para torná-la mais ética, mais humana. Mas o resultado da tecnologia que o Peta espera premiar pode ser o fim dos animais domésticos criados em fazendas. Essa parece a conclusão lógica para alguns ativistas radicais dos direitos animais: melhor que os animais não existam do que sofram.

Preferimos uma abordagem mais comedida. Garanta a menor crueldade possível aos animais, de qualquer jeito, e os crie de forma ética que não prejudique o meio-ambiente. Mas também valorize o elo histórico entre humanos e animais domésticos. Esses animais só existem pois achamos um uso para eles e preservar sua existência significa, em muitos casos, preservar esse uso. O mundo será um lugar mais bizarro se os rebanhos e manadas desaparecerem por causa de uma carne criada em tanques de laboratório.

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