Editorial: Omissão de ajuda a proprietários de imóveis enfraquece pacote de resgate

O Senado irá debater sua versão do enorme pacote de estímulo e recuperação econômica esta semana. Como na versão da semana passada, aprovada pela Câmara, haverá muito debate entre democratas e republicanos a respeito do que deve ser incluído na lei.

The New York Times |

Um desentendimento sério já está em andamento (entre os líderes do Senado e a gestão Obama) e foi decidido de uma forma que só pode enfraquecer o pacote como um todo. Os senadores planejavam incluir o auxílio à desapropriação de imóveis nessa lei, com uma medida que permitiria que proprietários de imóveis falidos tivessem suas hipotecas modificadas por uma proteção judicial.

Mas oficiais da gestão (que dizem apoiar a medida) rejeitaram a ideia por temer que ela faça com que os republicanos atrasem ou rejeitem o pacote. Assim, barrando uma correção da lei no Senado, a medida foi removida e a ajuda será adiada até pelo menos a primavera, quando poderá ser incluída em outro projeto.

O atraso é uma vergonha. O presidente Obama fez concessões aos republicanos na Câmara e nenhum deles votou por programas de estímulo e recuperação urgentes.

Esta crise econômica começou com hipotecas ruins e a inadimplência e desapropriação resultantes apenas pioraram, enquanto o preço dos imóveis continuam a cair. A medida sobre falência é uma peça vital para o alívio contra as desapropriações. A menos que as desapropriações sejam impedidas, a economia irá deteriorar ainda mais rápido do que qualquer estímulo possa superar.

Isso acontece porque as desapropriações estão inundando um mercado já sobrecarregado com casas à venda a preços ínfimos, baixando os preços em todos os lugares. Quanto mais os preços caírem, mais a inadimplência irá aumentar, porque os proprietários com pouca ou nenhuma equidade não têm respaldo caso (por qualquer motivo) tenham dificuldade em cumprir seus pagamentos.

A queda dos preços e o aumento na inadimplência, por sua vez, perpetuam o credit crunch, porque enquanto os empréstimos apresentarem problemas, os bancos continuarão a sofrer perdas e restringi-los. A queda nos preços também contribui para o contínuo desaceleramento dos gastos do consumidor, que aprofunda a recessão, porque os proprietários de imóveis se veem cada vez mais não apenas sem dinheiro mas sem investimentos imobiliários também. Como resultado, eles são incapazes ou desinclinados a gastar.

As consequências são que o preço dos imóveis caem e as desapropriações passam deixam de ser uma correção normal do mercado e passam a catalizadoras de uma queda vertiginosa.

Esforços voluntários por parte das financiadoras em modificar os empréstimos em dificuldades não conseguiram atingir a quantidade de alterações necessárias para se diminuir o ritmo das desapropriações. A proteção da falência, se aplicada às hipotecas, poderia suceder onde os esforços voluntários falharam.

Em casos nos quais um proprietário é capaz e está disposto a pagar mais em um empréstimo do que poderia ser recuperado pela desapropriação, um juiz poderia impor um acordo. Abrir a porta das cortes aos proprietários também geraria mais e melhores modificações voluntárias aos empréstimos. As financiadoras saberiam que uma solução voluntária impediria a intervenção judicial.

A gestão Obama disse que planeja usar até US$100 bilhões, do dinheiro do resgate para ajudar na questão da desapropriação. Isso seria bom, mas não substituiria uma reforma. Não é justo pedir que os contribuintes paguem pelo auxílio à desapropriação sem colocar em prática uma correção para a falência, que não lhes custa nada. Além disso, qualquer esforço de ajuda (e a equipe Obama ainda não indicou o que tem em mente) irá atrair uma participação maior caso as financiadoras saibam que a alternativa é perder controle do processo para um juiz de falências.

A reforma da falência é a base do investimento do contribuinte.

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