Editorial: Obama, Zardari e Karzai

Nós suspeitamos que o encontro desta quarta-feira entre os presidentes Barack Obama, Asif Ali Zardari do Paquistão e Hamid Karzai do Afeganistão será repleto de momentos estranhos.

The New York Times |

Os oficiais americanos não têm muita confiança em nenhum dos dois líderes (algo que não tentam esconder). A maioria dos afegãos e paquistaneses compartilha suas dúvidas. Mas se há qualquer esperança de derrotar o Taleban, Obama terá que encontrar um jeito de trabalhar com ambos os homens (e encontrar a combinação certa de apoio e pressão para que eles façam o necessário para salvar seus países).

Para que isso aconteça, Obama também precisa do apoio do Congresso, onde membros de seu partido se tornaram cada vez mais impacientes. O representante David Obey, presidente do Comitê de Apropriações da Câmara, afirma que irá dar à Casa Branca um ano para mostrar resultados.

Nós concordamos que o presidente George W. Bush gastou tempo e dinheiro demais autorizando o antigo presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, e em escala menor Karzai. Deve haver alguma prestação de contas. Mas Obama também precisa ter a chance de testar seu plano em lidar com os dois países como um problema regional integrado.

O Congresso precisa agir rapidamente a respeito dos dois pacotes de ajuda. Um pedido de financiamento complementar para as guerras no Iraque e Afeganistão inclui US$ 400 milhões em ajuda militar e US$ 500 milhões em ajuda econômica ao Paquistão, mais US$ 980 milhões para encorajar o desenvolvimento no Afeganistão.

O segundo pedido ofereceria US$ 7.5 bilhões, ao longo de cinco anos, ao Paquistão. Sob o comando de Bush, a ajuda ao Paquistão foi direcionada em larga escala ao uso militar. A proposta bipartidária dos senadores John Kerry e Richard Lugar deve almejar melhorias na vida de paquistaneses comuns (e conquistar seu apoio no combate aos extremistas) investindo em escolas, hospitais e projetos sanitários.

Ele impõe condições razoáveis para garantir que a ajuda militar seja direcionada ao combate dos insurgentes (e não da Índia). O compromisso de cinco anos também deve persuadir os líderes paquistaneses de que, caso estejam dispostos a confrontar o Taleban, Washington estará a seu lado.

Há muito tememos que o Paquistão veja esta luta como sendo dos Estados Unidos e não deles. Mas o Congresso precisa entender que esta também é uma luta americana. O Afeganistão não pode ser cedido ao Taleban e a Al-Qaeda. Tampouco o Paquistão - suas regiões fronteiriças desgovernadas ou suas dezenas de bombas nucleares.

Na semana passada, os militantes chegaram a 97 km de Islamabade antes que o exército paquistanês começasse a reagir. Um acordo de paz fracassado, no qual o exército cedeu o Vale de Swat ao Taleban, agora ruiu de vez, e os líderes paquistaneses dizem estar preparando uma nova ofensiva. Uma das principais tarefas de Obama será persuadir Zardari e o chefe militar do Paquistão, o general Ashfaq Parvez Kayani, a manter seu compromisso e sustentar suas operações.

Obama irá enviar outros 20 mil soldados para combater o Taleban. Outros desafios também exigem atenção imediata. Os afegãos estão cansados da corrupção que assola o governo de Karzai e seu fracasso em promover serviços básicos. Além disso, um plano é necessário para encerrar a indústria do ópio que é a principal fonte de dinheiro do Taleban.

Obama precisará ajudar Zardari e Karzai a finalmente entenderem que sua única esperança está no trabalho conjunto e com as forças da Otan (compartilhando inteligência e coordenando operações militares em ambos os lados da fronteira). O Paquistão precisa proteger seu arsenal nuclear.

A gestão Obama buscou construir elos com o líder da oposição do Paquistão, Nawaz Sharif. Agora o presidente precisa encorajar Zardari a encontrar formas de trabalhar com seu rival. Para combater o Taleban, Zardari precisará de todo apoio político que conseguir.

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