Editorial: Obama terá que demonstrar força superior a de seus consultores econômicos

Ao apresentar sua equipe econômica na segunda-feira, o presidente eleito Barack Obama disse que escolheu líderes que irão oferecer bons julgamentos e pensamentos inovadores. Será que ele está certo?

The New York Times |

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Em várias posições governamentais de alto escalão, Timothy Geithner, a escolha de Obama para o cargo de secretário do Tesouro, e Lawrence  Summers, seu diretor do Conselho Econômico Nacional, demonstraram  capacidade de bom julgamento e boas ideias.

Ambos trabalharam no Departamento do Tesouro da gestão Clinton  (Summers como secretário e vice-secretário e Geither como principal
consultor) onde conquistaram pontos por ajudar a salvar as vítimas da  crise daquela época, inclusive a desvalorização do peso mexicano, os  problemas financeiros nos Tigres Asiáticos, a inadimplência acionista na Rússia e o colapso do Long Term Capital Management.

Ambos, no entanto, tiveram papel central em políticas que ajudaram a  provocar a turbulência de hoje. Geithner, atual presidente do Federal Reserve Bank de Nova York, também ajudou a moldar a resposta errática e incompreensível da gestão Bush à crise financeira atual, até mesmo o resgate multibilionário do Citigroup realizado no fim de semana.

Com este histórico, o que precisamos saber não é se Geithner e Summers têm talento (eles obviamente têm), mas se aprenderam com seus erros, e caso tenham, o que exatamente.

Não pedimos um mea culpa moral. Mas a menos que reconheçam seus erros passados, há pouca esperança de que poderão oferecer o julgamento e a liderança que este país precisa para sair dessa desesperadora bagunça.

Como secretário do Tesouro em 2000, Summers patrocinou a lei que  desregulamentou os derivados, instrumentos financeiros (também  conhecidos como investimentos prejudiciais) que espalharam as perdas  financeiras, advindas dos empréstimos descuidados, por todo o mundo.
Ele se recusou a ouvir os críticos que alertaram sobre os perigos.

A lei, ainda nos livros, reforçava a falsa crença de que o mercado  iria se auto regulamentar. Isso deu à gestão Bush a cobertura  necessária para ignorar os riscos cada vez maiores apresentados pelos derivados e sua supervisão inadequada.

Summers agora irá aconselhar um presidente que prometeu impor  regulamentações racionais e essenciais sobre o caótico mercado  financeiro. O que ele aprendeu?

No Fed de Nova York, Geithner foi um dos líderes da série de resgates deste ano. Seu envolvimento inclui a inexplicável medida contra  resgates de setembro que  permitiu que o Lehman Brothers falisse  (apenas para mudar de ideia dois dias depois e salvar o American  International Group por um valor muito maior).

Ainda não se sabe o que Geithner e outros legisladores sabiam ou não  (ou o que eles pensavam saber mas não sabiam) ao chegar a estas  conclusões, até mesmo sobre quem exatamente irá receber os bilhões de dólares do dinheiro dos contribuintes injetado no sistema.

A confiança no sistema não será restaurada enquanto as autoridades se  recusarem a explicar detalhadamente suas ações.

Summers não enfrenta a necessidade de confirmação do Senado, mas  Geithner sim. Os senadores devem pressioná-lo com as perguntas que não foram respondidas até então. Essa é a única forma de entendermos sua filosofia e postura para movermos adiante.

O Congresso precisa representar um papel mais ativo na criação,  análise e monitoramento contínuo de todas as tentativas de resgate  (atuais e futuras). Ao contrário do presidente Bush, que deu poder  demais ao secretário do Tesouro, Obama precisa desafiar e questionar  as recomendações e decisões de seus consultores. Ele escolheu  consultores fortes e precisa ser ainda mais forte do que eles.

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