Editorial: Obama terá que cumprir sua promessa de um governo para o povo

Quando aceitou a indicação de seu partido no ano passado, Barack Obama repudiou a postura você está sozinho que havia definido o relacionamento entre o governo e o povo.

The New York Times |

Ele disse que o governo não pode fazer tudo, mas prometeu que a sua gestão fará tudo que os indivíduos não puderem fazer por si mesmos: um governo que "nos protegerá do perigo e oferecerá a cada criança uma educação decente, que manterá nossas águas limpas e nossos brinquedos seguros, investirá em novas escolas e abrirá novas estradas e caminhos para novas tecnologias e ciências".

Nesta terça-feira, ele fará seu juramento diante de uma nação que depositou uma enorme confiança (e esperança) na ideia de que esta promessa será mantida por um homem de 47 anos de Illinois que desafiou toda a sabedoria convencional e se tornou primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

O 44º líder executivo do país já está a caminho de cumprir sua promessa. A Câmara revelou um plano de resgate econômico de US$825 bilhões na semana passada, que foi desenvolvido em parceira com Obama e inclui dinheiro para educação, infraestrutura, investimentos em novas energias e pesquisas, assim como gastos emergenciais para o seguro desemprego, a saúde pública e a alimentação.

Os detalhes devem mudar conforme o pacote for levado ao Congresso. Obama e os legisladores seriam sábios, por exemplo, em aceitar menos dinheiro para o corte de impostos de baixo rendimento e mais para os gastos públicos de alto retorno. Mas a seu favor podemos dizer que o pacote em geral está bem alinhado e chega no momento certo.

Há, no entanto, uma grave omissão que caberia à promessa de Obama, segundo a qual o governo deve ajudar o indivíduo. Não há nada no pacote, ainda, que impeça as desapropriações de lares americanos.
Tal omissão era compreensível quando o pacote foi criado como um estimulo, o que significava ações a curto prazo para recuperar a economia. Mas ele se tornou mais do que isso (com razão, dado o cenário econômico). Para ser um bom plano de recuperação, o alívio às desapropriações é essencial. Sem ele, o problema de moradia, a crise financeira e a recessão continuarão a alimentar um ao outro em um ciclo vicioso.

O primeiro passo para oferecer o alívio é incluir no pacote uma medida que permita que proprietários em dificuldades modifiquem os termos de seus financiamentos em uma corte de proteção à falência, um caminho atualmente negado por uma lei antiquada e anti-consumidor. Obama defendia esta emenda durante sua campanha. Comitês tanto na Câmara quanto no Senado passaram uma emenda contra a falência no ano passado.

Agora, os líderes do Senado prometeram ir atrás de mudanças no código de falência da sua versão do pacote de resgate, esperado para esta semana. Em mais um passo em nome da solução, o Citigroup recentemente apoiou a emenda proposta pelo Senado, reconhecendo, finalmente, que a crise financeira não terá fim até que a inadimplência e as desapropriações acabem. 

O medo agora é que incluir uma provisão contra a falência no pacote de recuperação custe votos entre os senadores republicanos que se opõem à medida, amplamente por solidariedade ao setor de empréstimos financeiros. Mas dada a importância do pacote, líderes do Senado estão confiantes que ele será aprovado, mesmo com a medida. 
Obama pode conseguir apoio para a medida explicando ao povo americano que é uma forma de começar a solucionar o problema de desapropriações que não custará nada ao contribuinte. Na verdade, seria desmedido seguir adiante com um plano que envolva o financiamento dos contribuintes sem antes colocar em prática medidas que ajudem a atingir os resultados desejados sem envolvê-los.

A emenda contra falência não pode impedir todas as desapropriações, mas é um começo. E seria um ótimo exemplo do governo fazendo pelos indivíduos o que eles não podem fazer por si mesmos - abrindo as portas de uma corte que está fechada por lei.

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