Editorial - Obama revela sua visão para o Oriente Médio em discurso no Cairo

Quando o presidente George W. Bush discursou nos meses e anos que se seguiram ao 11 de setembro de 2001, geralmente (com um frio na espinha), sentíamos como se não reconhecêssemos os Estados Unidos. Sua visão era a de um país cheio de medo e atrás de vingança, um que impunha escolhas individuais ao mundo e a si mesmo. Quando ouvimos o presidente Barack Obama falar no Cairo na quinta-feira, reconhecemos os Estados Unidos.

The New York Times |


Obama falou, com determinação, sobre a necessidade de defender a segurança e os valores deste país. Ele não deixou dúvida de que irá fazer o que for necessário para derrotar a Al-Qaeda e o Taleban, mas deixou claro que os americanos não querem ocupar permanentemente o Iraque e o Afeganistão.

Ele falou, de maneira objetiva, sobre o compromisso "indestrutível" dos Estados Unidos com Israel e sobre porque o Irã não deve ter uma arma nuclear. Ele também foi claro ao afirmar que todos aqueles que o ouviam (no mundo muçulmano e Israel) devem fazer mais para derrotar o extremismo e respeitar os direitos de seus vizinhos e de seu povo.
Palavras são importantes. Obama estava certo quando pediu que os líderes que em particular falam sobre moderação e compromisso a ousem dizer estas palavras em público. Mas palavras não são suficientes. Obama, que afinal de contas está no cargo há menos de seis meses, tem muito a fazer para cumprir esta visão. Bem como os demais.

Como muitas pessoas, nós ouvimos atentamente como o presidente irá lidar como conflito entre Israel e Palestina. Ele não evitou pressionar o novo governo de Israel, insistindo que a construção de novos assentamentos deve ser interrompida, a existência de um Estado palestino não pode ser negada e a "situação para o povo palestino é intolerável".

No mesmo tom inflexível, ele pressionou os palestinos para que rejeitem a violência e disse que os Estados árabes devem parar de usar o conflito para "distrair" seu povo de outros problemas. Eles precisam reconhecer Israel e fazer mais para ajudar os palestinos a construir instituições estatais fortes.

Nós não poderíamos concordar mais quando ele disse que os elementos de uma fórmula para a paz são conhecidos. Agora esperamos ouvir sua estratégia para colocá-los em prática.

Sobre o Irã, Obama alertou que sua busca por armas nucleares pode dar início a uma perigosa corrida bélica no Oriente Médio. Ele também renovou sua oferta de negociações sérias. Esperamos para ver o que Obama irá propor e quais são seus planos para persuadir Rússia, China e os europeus a apoiarem uma mistura de confiáveis punições e persuasões para mudar o comportamento de Teerã.

Obama desafiou os conspiradores que questionaram e aqueles que justificaram os ataques do 11 de setembro. Ele disse que a guerra no Afeganistão era necessária e insistiu que apesar de seu alto custo, em vidas e recursos, o compromisso da América não foi enfraquecido.
Ao mesmo tempo, Obama disse que a guerra no Iraque foi uma guerra de "escolha que provocou fortes diferenças em meu país e no resto do mundo". Obama, que disse que o Iraque está melhor sem Saddam Hussein, perdeu a oportunidade de encorajar os vizinhos do país a fazer o que podem para ajudar a manter o país unido quando as tropas americanas deixarem seu solo.

Sem dúvida, a plateia esperava ouvir como Obama irá lidar com a questão da democracia (e sua deprimente ausência no mundo islâmico). Ele evitou o tom intimidante do presidente Bush e não confrontou seu anfitrião, o presidente Hosni Mubarak do Egito. Mas suspeitamos que todos no salão sabiam do que ele falava (porque aplaudiram no momento certo) quando disse que os governos devem manter o poder "através do consentimento, não da coerção" e que "apenas eleições não fazem uma democracia verdadeira". Esperamos que ele tenha feito estes comentários diretamente a Mubarak e ao Rei Abdullah da Arábia Saudita, quando se encontrou com eles.

Antes do discurso de quinta-feira, e depois, os críticos de Obama reclamaram que ele tem gasto tempo demais se desculpando e o acusaram de enfraquecer o país. Esta é uma interpretação incorreta do que ele tem dito (e do que precisa ser dito). Depois de oito anos de arrogância e intimidação que colocaram até mesmo nossos amigos mais próximos contra os Estados Unidos, é necessário um presidente forte para reconhecer os erros do passado. E é necessário um presidente forte para pressionar a si mesmo e ao mundo para melhorar.



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