Editorial: Obama recua silenciosamente em relação à imigração

Em um ato de covardia política pouco noticiado, a gestão Obama desistiu de indicar Thomas Saenz, um respeitado advogado de direitos civis e conselheiro do prefeito de Los Angeles, para a divisão de direitos civis do Departamento de Justiça.

The New York Times |

Saenz, antigo principal advogado de acusação de Los Angeles para a Defesa Legal e Fundo Educacional Mexicana-Americana, ou Maldef (na sigla em inglês), recebeu a oferta do cargo em janeiro. Seu nome gerou reações fervorosas entre grupos e blogs contra a imigração, que o detestam por ser tão bom no que faz.

Ele liderou uma bem-sucedida disputa em proibir a Proposição 187 na Califórnia, um esforço inconstitucional em negar serviços sociais e escola aos imigrantes ilegais. Ele defendeu trabalhadores latinos que foram alvos da repressão incorreta local, de patrulhas policiais ilegais a proibições inconstitucionais ao uso da prostituição. Por conta disso, um editorial no jornal Investor's Business Daily rotulou Saenz dizendo que ele é "o extremista das fronteiras abertas" e que o Maldef que devolver a Califórnia ao México.

Nada disso é verdade, mas parece que foi demais para a Casa Branca. Saenz foi substituído pelo secretário trabalhista de Maryland, Thomas Perez, que tem um histórico sólido mas sem relação com os direitos dos imigrantes.

Os defensores da imigração têm a impressão que o suposto entusiasmo do presidente Barack Obama pela reforma imigratória irá ceder sob a pressão. O representante Luis Gutierrez de Illinois, membro do Cáucaso Hispânico do Congresso, descobriu que infelizmente não é uma surpresa que um advogado possa ser rejeitado para o principal cargo de direito civil do país porque porque agiu em nome dos direitos civis. "Em que outra posição sua experiência de vida, seu conhecimento educacional e seu compromisso com uma questão podem prejudica-lo?", ele questiona.

Obama pode ter evitado uma disputa desagradável por enquanto. Mas se ele quer vencer a batalha de colocar 12 milhões de imigrantes ilegais a caminho da cidadania, então ele terá que confrontar ou desarmar o argumento central dos restricionistas: de que ser um imigrante ilegal é um crime imperdoável, que remove qualquer proteção fundamental e perdoa qualquer tratamento indecente.

As proteções da Constituição não se aplicam apenas aos nativos. O sofrimento pelos quais os imigrantes ilegais passam (das patrulhas aos locais de trabalho ao tratamento desumano na prisão) é uma crise de direitos civis. Isso não pode ser deixado de lado enquanto esperamos uma grande lei imigratória que pode nunca ser criada nesta presidência.

Saenz teria sido o candidato ideal para reafirmar valores que foram perdidos no venenoso debate sobre a imigração, se Obama tivesse ousado indicá-lo.

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