Editorial - Obama precisa agir para tirar EUA da crise

O desemprego está aumentando. As desapropriações se acumulam. Os empréstimos continuam restritos. Então, por que exatamente a gestão Obama está esperando para agir?

The New York Times |

É verdade que mais tempo é necessário para que surjam resultados das políticas atualmente em vigor, como os gastos com estímulo, o alívio às desapropriações e o resgate dos bancos. Mas também está claro que o desemprego e a inadimplência estão piores agora do que se acreditava quando estas políticas foram criadas. Portanto a necessidade de mais ajuda federal é inevitável, bem como todas as disputas políticas a respeito da renovação desta ajuda. O presidente Barack Obama pode querer evitar estas batalhas até que a reforma do sistema de saúde seja aprovada, mas ele ainda precisa preparar o terreno em três áreas principais:

Gastos com estímulo: Um dos argumentos contra outra rodada de estímulo é que o déficit pode assustar os investidores, forçando o aumento dos juros. A solução para o déficit, no entanto, não é abandonar o estímulo temporário em um momento necessário mas impor uma disciplina fiscal rígida a longo prazo. A melhor forma desta gestão e seus aliados congressistas fazerem isso é pagar com crédito pela reforma do sistema de saúde. Isso, mais do que qualquer outra coisa, mostraria que o orçamento está em boas mãos.

Por outro lado, se o sistema de saúde for pago através de truques, o mercado de ações ficará compreensivelmente nervoso (e a gestão perderá a credibilidade que precisa para argumentar a favor de mais gastos com estímulo).

Alívio às desapropriações: Em uma carta recente, o secretário do Tesouro Timothy Geithner, juntamente com Shaun Donovan, secretário de moradia e desenvolvimento urbano, convocaram os 25 principais financiadores de hipotecas a Washington no final deste mês, aparentemente para debater a falta de progresso na modificação de financiamentos ruins. Ainda não está claro, no entanto, se Geithner e Donovan entendem o que realmente está atrasando seu objetivo.

Sua carta dizia que a prevenção de desapropriações que se pode evitar é um objetivo "compartilhado por todos nós". Na verdade, as financiadoras e seus investidores têm inúmeros motivos para preferir a desapropriação às modificações de hipotecas. Entre eles, as desapropriações permitem que os bancos adiem sua perda até que o processo seja concluído, o que pode levar um ano ou mais.

Se esta gestão realmente quer dar início às modificações de hipotecas, terá que reavivar os esforços pela colocação de juízes de falência neste processo. Pelo menos, deve impor custos a bancos que não cooperem, como cobranças mais altas para garantias de débito ou seguros de depósito premium mais altos.

Resgate dos bancos: A gestão Obama arquivou, por enquanto, seu plano de financiar a compra de ativos tóxicos, principalmente por causa do recente sucesso dos bancos em gerar capital. Outra explicação é que os bancos não querem vendê-los. Mudanças de contabilidade recentes fazem com que seja mais fácil para eles manter os ativos tóxicos em seus livros. Por que admitir a perda quando não é necessário?

De qualquer forma, a adequação da segurança dos bancos, em grande parte, está em poder estimular a economia e impedir as desapropriações: se estes esforços não forem suficientes o desemprego, a renda familiar e o gasto do consumidor não serão recuperados e os bancos perderão ainda mais dinheiro (não apenas com hipotecas, mas com cartões de crédito, imóveis comerciais e outros empréstimos ruins). O resultado seria um longo período de dificuldades de financiamento e um crescimento econômico negativo.

Se esperar para ver é a tática do governo, este será também o seu erro. A necessidade de maiores alívios e esforços de recuperação são urgentes. Ao invés de evitar estas disputas, a equipe de Obama precisa vencê-las.

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