Editorial: Obama pode recuperar relações entre EUA e América Latina

A gestão Bush deixará para trás tanto tumulto e ressentimento por todo o mundo que o presidente eleito Barack Obama pode ter vontade de adiar uma solução para as ruins relações entre Estados Unidos e América Latina.

The New York Times |

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Esta atitude seria drástica. Obama terá uma oportunidade única de melhorar os laços com uma região que compartilha interesses e valores importantes com a América. Além disso, a situação atual é tão ruim que será preciso muito bom senso e razão para se conquistar algum progresso.

Para começar, a gestão Obama pode conseguir a cooperação da região ao apoiar uma ajuda maior, principalmente do Fundo Monetário Internacional, para os países da América Latina que foram atingidos subitamente pela crise financeira.

Mais do que qualquer coisa, os líderes latino-americanos querem saber que Washington está preparada para negociar com seriedade (ao invés de ditar as regras) sobre assuntos importantes, como tráfico de drogas, políticas de energia, integração econômica e imigração.

Com Fidel Castro quase totalmente fora do poder, Washington deveria testar as intenções da nova liderança cubana. Nós acreditamos que a remoção do embargo econômico é a melhor forma de se fazer isso. A medida deu a Castro e seus comparsas desculpas infindáveis para seus erros e transgressões.

Durante a campanha, Obama infelizmente concordou com a afirmação incorreta, mas politicamente conveniente, de que o embargo dá aos Estados Unidos força de barganha. Felizmente, ele também disse que iniciaria um processo de reconquista de Havana (e abertura de Cuba aos ventos de mudança) ao acabar com as restrições de viagem e envios de remessas à ilha. Ele deve fazer isso rapidamente.

O declínio no preço do petróleo e da estatura do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também tornarão a tarefa de Obama mais fácil.

Não temos muita paciência para o jeito corrupto e autocrático de Chávez, mas a gestão Bush prejudicou demais a credibilidade americana em toda a região ao apoiar o que acabou sendo um golpe de Estado falho contra ele.

O líder venezuelano usou o antiamericanismo a seu favor sempre que pôde. Ele gastou grande parte das riquezas de seu país, advindas do petróleo, para manter os irmãos Castro e financiar um bloco maior contra os Estados Unidos. Agora, Chávez já não tem tanto dinheiro para distribuir e seu próprio povo cansou de sua falha revolução.

A recusa de Chávez também representa novos desafios. As finanças de Cuba bem como as da Argentina, Nicarágua ou Honduras podem deteriorar rapidamente caso a Venezuela decida diminuir o envio de petróleo barato e grandes somas de dinheiro em ajuda a estes países. Washington deve se preparar para substitui-la, seja através de seus próprios fundos ou de financiadores internacionais.

Algumas coisas serão difíceis de se engolir. Mas pelo bem dos negócios americanos e da credibilidade do nosso país, o Congresso precisa aprovar o pacto de comércio livre com a Colômbia.

Outros passos serão mais fáceis. Washington deve abrir um diálogo regional sobre o comércio ilegal de drogas e provar que pode fazer sua parte ao impedir o fluxo de armas para o sul e diminuir a demanda por narcóticos nos Estados Unidos.

Em relação à energia, eliminar a tarifa sobre a importação de etanol ajudaria a reduzir a dependência de combustíveis fósseis e melhoraria muito as relações com o Brasil.

Os Estados Unidos também precisam seguir adiante com a reforma imigratória. Além disso, será necessário começarmos um debate sobre as questões de imigração com os países de onde os imigrantes partem. Isso poderia melhorar muito as relações e encontrar soluções para problemas importantes como os abusos dos direitos humanos cometidos contra imigrantes.

Se ainda há alguma dúvida em relação à necessidade de uma nova política para a região, considere estes fatos: a América Latina fornece um terço do petróleo  importado pelos Estados Unidos, a maioria dos imigrantes e quase toda a cocaína. Ah, tem mais, ela é nossa vizinha.

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