Editorial - Obama molda partido a sua imagem e ideologia

O maior teste da força de um candidato, e geralmente uma prévia de sua chance de vencer, é o quanto ele consegue moldar seu partido de acordo com a sua imagem e criar um poderoso argumento para sua eleição. Barack Obama deixou Denver depois de progredir muito em ambas as frentes.

The New York Times |

Hoje o partido Democrata é diferente daquele que perdeu as duas últimas eleições presidenciais. Ele é maior, mais jovem e menos visivelmente ligado aos grupos de interesse tradicionais dos democratas.

Obama provou há muito tempo que tem o dom da oratória, mas foi além na noite de quinta-feira, usando seu discurso de aceitação da indicação para mostrar mais detalhes de suas promessas de esperança e demonstrar um novo tema que pode encontrar apoio entre os democratas (novos e velhos), bem como entre uma gama mais ampla de americanos.

O governo, argumento Obama, não pode solucionar todos os problemas do país. Mas tem responsabilidades básicas de proteger os americanos e "fazer o que nós mesmos não podemos". Ele disse que o governo falhou nestas tarefas sob a gestão do presidente Bush e do Congresso republicano. "Esta falha em agir como o esperado é um resultado direto de problemas na política em Washington".

Segundo ele, seu oponente John McCain "adotou a velha e desacreditada filosofia republicana (dar mais e mais aos que tem mais e esperar que a prosperidade alcance todo o resto). Em Washington, isso é conhecido como Sociedade Proprietária, mas o que significa é: você está sozinho".

Obama prometeu reescrever o código fiscal de Bush para restaurar a justiça aos trabalhadores e tirar as isenções dos americanos mais ricos. Ele prometeu assistência médica universal. Ele ofereceu uma visão grandiosa sobre finalizar a dependência do petróleo do Oriente Médio em uma década.

Além disso, ele desafiou a acusação absurda de McCain de que porque se opõe à guerra no Iraque irá deixar a América indefesa. "Nós somos o partido de Roosevelt", ele disse. "Somos o partido de Kennedy. Então não diga que os democratas não irão defender seu país".

O partido que saudou Obama em Denver era notavelmente diferente. Parte disso é verdade: sua campanha gerou um número de registros sem precedentes que trouxeram muitos novos eleitores para o partido e, esperamos, permanentemente ao processo democrático.

Suspeitamos que outra parte não passou de gerenciamento de palco. Houve pouca aparição no hall da convenção, e nenhuma nos noticiários, dos cartazes de professores e sindicalistas, da Liga Nacional pelo Direito ao Aborto e do Sierra Club.

Isso reflete a análise da campanha de Obama de que os americanos não confiam em grupos de interesse que não sejam os seus próprios e sua dura convicção de que o poder de atração de Obama é tão grande que podem vencer sem dar destaque a estes grupos.

Fica difícil dizer se isso é uma manipulação visual ou o início de uma nova forma de política, mas estamos intrigados com a possibilidade de um presidente menos refém dos interesses de seus lobistas.

Os estrategistas de Obama acreditam que a rota para a vitória está na seleção cuidadosa dos Estados de disputa e na expansão de sua base de eleitores. Isso venceu primárias, mas ele terá que repetir o feito num palco muito maior. A quantidade de eleitores que sua equipe registrou é de jovens eleitores de primeira viagem, geralmente de minorias, cujo comparecimento nas urnas é sempre duvidoso.

Não acreditamos em slogans, mas percebemos uma boa audácia (outra das palavras favoritas de Obama) na estratégia adotada por ele e sua equipe.

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