Editorial: Obama favorece ciência ao permitir uso de células-tronco

Nós aclamamos a decisão do presidente Barack Obama de suspender as restrições impostas pela gestão Bush ao financiamento público de pesquisas com células-tronco embrionárias. Sua medida acaba com um longo e sombrio período no qual objeções morais de conservadores religiosos puderam restringir o progresso da ciência médica fundamental.

The New York Times |

Reuters
Obama assina decreto que retira veto às pesquisas

Obama assina decreto que retira veto às pesquisas

Mesmo com esta postura esclarecida, algumas pesquisas promissoras com células-tronco não receberão dólares federais. Para que isso mude, o Congresso precisa suspender outra proibição que tem imposto anualmente desde meados da década de 1990.

Obama também prometeu na segunda-feira que irá basear as decisões de sua gestão puramente na ciência, sem distorções políticas ou ideológicas. Ele pediu que seu gabinete de ciência desenvolva um plano para que todas as agências do governo atinjam este objetivo.

Tal promessa deveria ser desnecessária. Infelizmente, durante oito anos, o ex-presidente George W. Bush fez o oposto. Ele escolheu comitês de aconselhamento científico com base em ideologias ao invés de experiência. Seus indicados políticos ignoraram, distorceram e suprimiram agressivamente as descobertas científicas para promover uma agenda política ou favorecer grandes empresas.

Esta postura cínica prejudicou seriamente os esforços do governo de lidar com o aquecimento global e encorajar práticas saudáveis de planejamento familiar, entre outras questões.

Obama foi apropriadamente cauteloso, alertando que toda a promessa da pesquisa com células-tronco permanece desconhecida e não deve ser supervalorizada. Alguns benefícios, ele disse, podem não surgir durante a nossa vida ou mesmo durante a vida de nossos filhos. Mas cientistas esperam que terapias celulares possam eventualmente levar a tratamentos ou à cura de inúmeras doenças degenerativas, como Parkinson e diabetes, e Obama corretamente prometeu promover estas pesquisas com urgência.

Em um de seus primeiros atos como presidente, Bush restringiu o financiamento federal à pesquisa para 20 e poucas linhas de células-troncos que tivessem sido criadas antes da divulgação. Estas linhas são limitadas demais em número, variedade e qualidade para permitir todo o âmbito de pesquisa necessário.

Com o fim das restrições de Bush, os cientistas que recebem dinheiro federal poderão trabalhar com centenas de linhas de células-tronco que foram criadas (e muitas mais que serão geradas no futuro). Toda a gama das novas possíveis pesquisas não será conhecida até que novas regras governando quais pesquisas podem se qualificar para o apoio federal sejam emitidas pelo Instituto Nacional de Saúde.

Outra importante pesquisa embrionária ainda está sendo impedida pela chamada Dickey-Wicker emenda. A emenda, que é comumente adicionada à leis de apropriação do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, proíbe o uso de verba federal para apoiar trabalhos científicos que envolvam a destruição de embriões humanos (como acontece na extração das células-tronco) ou a criação de embriões com o propósito de pesquisa.

Até esta mudança, os cientistas que queiram criar embriões (e extrair células-tronco) que combinem com pacientes com determinadas doenças terão que depender do patrocínio privado ou apoio estadual. Tal pesquisa é uma forma promissora de aprender como as doenças se desenvolvem e descobrir os melhores tratamentos. O Congresso deve seguir o exemplo de Obama e suspender a proibição para que este importante trabalho possa ser beneficiado pela infusão de dólares federais.

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