Editorial: Obama escolhe Ken Salazar para resgatar o Interior

O senador Ken Salazar, democrata do Colorado que foi indicado pelo presidente eleito como secretário do Interior, irá herdar um departamento repleto de incompetência e corrupção, cativo da indústria que deveria regulamentar e muito mais interessado em explorar seus recursos públicos do que em conservá-los.

The New York Times |

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Nenhum cargo no gabinete é tão importante para a integridade dos parques, espaços abertos e animais da nação. Obama e sua conselheira ambiental, Carol Browner, precisam se preparar para oferecer a Salazar todo seu apoio, especialmente no combate aos rancheiros e interesses especiais do petróleo, gás, mineração e outros que sempre encontraram no Departamento do Interior um alvo fácil, principalmente durante a gestão Bush.

A tarefa mais urgente de Salazar será remover a influência da política e ideologia de decisões que cabem à ciência.

Enquanto o nome de Salazar era indicado ao cargo, Earl Devaney, atual inspetor geral do departamento, reportou ao Congresso que em 15 ocasiões separadas as decisões políticas do departamento tiveram poucas proteções às espécies em extinção contrariando o conselho dos cientistas da agência, cujo trabalho ignoraram ou distorceram.

Este tipo de intervenção se tornou procedimento padrão para suas operações. Julie MacDonald, ex-vice-assistente da secretária para peixes, vida selvagem e parques, pediu demissão no ano passado depois que um relatório descobriu que ela não levava em consideração os cientistas da agência e violava leis federais ao conceder documentos internos a lobistas.

A segunda grande tarefa de Salazar será conquistar um equilíbrio racional entre o programa de leasing do petróleo e gás do departamento e sua obrigação de proteger terras ambientalmente sensíveis e a vida selvagem que depende delas. Reconciliar energia e demandas ambientais nunca foi fácil, mas alguns secretários do interior (principalmente Bruce Babbitt, que serviu sob a gestão do presidente Bill Clinton) conseguiram proceder com mais cuidado do que outros.

O Departamento do Interior de Bush, impulsionado amplamente pela estratégia de perfuração do vice-presidente Dick Cheney, emitiu novos leases e permissões para a extração em áreas que não apenas merecem ficar em paz mas também, mesmo se fossem extraídas em sua totalidade, acrescentariam pouco ao suprimento de energia do país.

A terceira grande tarefa será lidar com a corrupção dentro do departamento, que pode datar de muitos anos.

Em setembro, o engenhoso Devaney entregou três relatórios ao Congresso detalhando a disseminação da corrupção no Serviço de Gerenciamento de Minerais, a divisão que oferece permissões para a extração costeira do petróleo e recebe por isso. De acordo com Devaney, oficiais receberam presentes, modificaram contratos para favorecer os clientes e se envolveram em drogas e sexo com funcionários da companhia.

"Quase um crime", disse Devaney, "quase tudo acontece no Departamento do Interior".

Ele falava, é claro, de comportamentos pessoais. Mas as falhas do departamento vão além de sua proximidade com a indústria que deveria regulamentar, seu audacioso ataque aos recursos naturais do país e seu abuso da ciência. Salazar terá muito trabalho pela frente.

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