Editorial: Obama divulga planos para reforma do sistema educacional

O primeiro grande discurso do presidente Barack Obama sobre a educação, no qual ele divulgou uma análise completa do sistema educacional, revelou uma impressionante amplitude de conhecimento e uma bem-vinda medida de sinceridade.

The New York Times |

O importante é que Obama não esfregou as mãos ou falou de maneira abstrata sobre os Estados que não conseguiram elevar o padrão educacional. Ao invés disso, ele deixou claro que não tem medo de envergonhar os atrasados (citando seus nomes) e que irá usar um fundo de estímulo de US$ 100 bilhões para criar as mudanças que o país desesperadamente precisa neste setor.

Obama deu sinais de que levará a questão da reforma diretamente aos eleitores, ao invés de limitar o debate aos estudiosos, lobistas e especialistas reunidos em Washington. Ao contrário de seu predecessor, que prometeu não deixar nenhuma criança para trás mas não cumpriu, este presidente está claramente preparado para usar sua influência política na educação.

Obama falou em termos que todos podiam entender quando explicou que apenas um terço das crianças com 13 e 14 anos é capaz de ler tão bem quanto deveria e que o currículo escolar da oitava série está dois anos atrasado em relação ao de outras nações de primeira linha. Parte do problema, ele disse, é que as escolas americanas tem se concentrado em uma "disputa pelo último lugar" (a maioria dos Estados adotou padrões infinitamente baixos e exames fracos para que os estudantes de pouco aproveitamento em termos objetivos possam parecer bem sucedidos na hora das provas).

O país tem uma série de padrões que variam de Estado para Estado e um sistema no qual, disse ele, "leitores da quarta série do Mississippi obtêm quase 70 pontos a menos do que os estudantes do Wyoming, mas conseguem a mesma nota". Além disso, segundo Obama, diversos Estados têm padrões tão baixos que os estudantes podem se equiparar com os 40% piores estudantes do mundo.

Esta é uma receita para um desastre econômico. Obama e Arne Duncan, secretário da educação, corretamente deixaram claro que os Estados que obtiverem dinheiro do fundo de estímulo terão que criar um necessário sistema de coleta de informações que mostre como os estudantes estão se saindo ao longo do tempo. Eles também terão que aumentar o padrão de ensino e substituir exames fracos por provas sofisticadas que irão medir de forma correta o raciocínio crítico dos estudantes.

Obama entende que os padrões e exames sozinhos não irão resolver o problema. Ele também pediu incentivos para pagar professores que trabalham em áreas com falta de pessoal, como matemática e ciência e para os educadores que demonstrem maiores conquistas ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, o presidente pediu a remoção de professores com performance abaixo do esperado.

O pacote de estímulo pode dar início imediato às reformas que Obama mencionou em seu discurso. Mas o Congresso precisará ampliar e sustentar estas reformas na reautorização do Ato No Child Left Behind (Nenhuma Criança Deixada Para Trás, em tradução livre). Apenas o Congresso pode substituir completamente a disputa pelo último lugar com uma disputa pelo primeiro.

Leia também:


Leia mais sobre Barack Obama

    Leia tudo sobre: barack obama

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG