Editorial - Obama, Cuba e a Organização dos Estados Americanos

Durante 50 anos, o povo cubano sofreu sob o domínio repressor de Fidel Castro, e agora sob Raul Castro. Mas o embargo de Washington (um anacronismo da Guerra Fria mantido por políticas da Flórida) não aliviou este sofrimento e deu aos Castros uma conveniente desculpa para manter seu punho de ferro no poder.

The New York Times |

Por isso é encorajador ver os esforços do presidente Barack Obama em aliviar o embargo e tentar chegar ao povo cubano. Ao mesmo tempo, estamos absolutamente confusos e incrédulos com a pressão feita esta semana por países da América Latina para que Cuba seja readmitida na Organização dos Estados Americanos.

Cuba, que diz não ter interesse em participar da organização, claramente não atinge os padrões de democracia e direitos civis do grupo.

A campanha foi liderada pelos membros menos democráticos da OEA (Nicarágua e Venezuela), que parecem querer comprar briga com Washington - e desviar a atenção de suas práticas. O momento parece especialmente estranho e contraproducente quando se considera a forte abertura de Obama em relação à região e Cuba.

Em abril, Obama mudou as leis para permitir que americanos cubanos visitem seus parentes na ilha tanto quanto quiserem (a gestão Bush havia limitado estas visitas a uma vez a cada três anos). Além disso, agora eles podem mandar presentes e dinheiro sem limitações. Ele também abriu espaço para que companhias de telecomunicações americanas tentem acordos de licenciamento em Cuba na tentativa de ampliar o acesso à telefonia celular e televisão via satélite.

Quanto mais contatos o cubanos têm com o mundo exterior (e quanto mais aprendem sobre a liberdade existente a poucos quilômetros dali) mais questionarão as privações impostas pela família no poder.

A Casa Branca também se ofereceu para negociar o primeiro serviço postal direto em décadas e retomar negociações com o governo a respeito da migração, que foram suspensas pela gestão Bush em 2003 juntamente com maioria das avenidas de comunicação comuns. Esta semana, Havana concordou com as negociações sobre a migração e os serviços postais bem como com uma possível cooperação no combate ao terrorismo, a interdição de narcóticos e alívio pós-furacões.

Isso não é uma honra para o governo Castro. Permitir a cooperação de Cuba é claramente do interesse do país. Também suspeitamos que se os oficiais cubanos falarem com seus semelhantes americanos, eles também passarão a questionar suas alianças políticas.

A gestão Obama estava certa ao resistir à pressão de readmitir precipitadamente cuba à OEA. Estava certa em insistir que Havana melhore o tratamento de seus cidadãos e adote os padrões democráticos do grupo primeiro. Na quarta-feira (depois de um debate exagerado que se concentrou principalmente em antigos ressentimentos dos Estados Unidos, ao invés da atual repressão cubana) a OEA, por aclamação, decidiu remover a suspensão de Cuba da organização, que estava em vigor desde 1962.

Oficiais dos Estados Unidos e da OEA afirmaram que a reentrada de Cuba não será imediata. Ela resultará apenas de um diálogo que esteja alinhado com as "práticas, propostas e princípios" da organização. Não temos certeza do que isto significa, mas esperamos que Havana passe por forte pressão regional para libertar prisioneiros políticos e fazer reformas democráticas.

Nós entendemos o desejo de reintegrar Cuba à principal organização regional. Mas o grupo de direitos humanos Human Rights Watch argumentou esta semana: "Cuba é o único país no hemisfério que repudia quase toda forma de dissidência política. Durante quase cinco décadas, o governo cubano reforçou o conformismo político com perseguições criminais, prisões de curto e longo prazo, repressão de multidões, abuso físico e vigilância".

Obama precisa ir adiante e pressionar o Congresso para que remova o embargo. E a OEA precisa pressionar Havana para se juntar à democracia vigente - e seus membros errantes a aderir às regras democráticas da organização.



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