Editorial: Obama adota transparência em seu governo

O presidente Obama não perdeu tempo para abandonar a vergonhosa estrutura de governo aberto da gestão Bush.

The New York Times |


Em uma série de ordens aclamada, Obama direcionou as agências federais para que operem com transparência e não no padrão da era Bush de sigilo e atraso, ao divulgar dados ao público. Ele também desfez a ordem executiva assinada pelo presidente George Bush que permite que ex-presidentes e ex-vice-presidentes controlem indefinidamente arquivos que podem ser vergonhosos para si mesmos e que devem ser de domínio público.

Obama emitiu algumas das mais rígidas limitações ao poder dos lobistas de influenciar o governo por dentro. Sob as novas regras, qualquer um que deixar a equipe de Obama não poderá fazer lobby no braço executivo pelo resto da gestão, ao invés da proibição de um ano usada por Bush. Além disso, ninguém pode trabalhar na equipe de Obama se fez lobby nos últimos dois anos.

As ações do novo presidente são medidas executivas muito bem-vindas em Washington. Infelizmente, Obama já quer fazer uma exceção para William Lynn, um antigo lobista da companhia de defesa Raytheon, e indicá-lo como vice-secretário de defesa. Lynn, um respeitado oficial do Pentágono durante a gestão Clinton, tem o currículo certo, mas foi lobista até o ano passado. Isso claramente viola o recém-adotado padrão, especialmente uma vez que o trabalho do Pentágono é tão amplo que a recusa de questões específicas se torna impossível.

A Casa Branca espera a aprovação do Senado mesmo assim, argumentando que ainda que o presidente busque regras éticas mais rígidas, ele também acredita que "qualquer padrão não é perfeito", que "um processo de escolha que permita que as pessoas sirvam seu país é necessário". Talvez o Senado conclua que Lynn é "qualificado de forma única" e que uma exceção seja justificável. Mas este não é o primeiro teste ideal para as regras exemplares de Obama. Os eleitores que aclamaram a mensagem de abertura durante a campanha devem exigir que as exceções sejam poucas e raras.

Isso é especialmente verdadeiro para a ordem de Obama de reverter um memorando do Departamento de Justiça de Bush que limitava a ação de agências que buscavam cumprir a promessa de prestação de contas do Ato de Liberdade de Informação. Uma democracia saudável precisa saber o que está acontecendo em seu governo. Historiadores saudaram instantaneamente a reversão que Obama fez da ordem de Bush, que dava poder de veto a antigos presidentes, vice-presidentes e seus herdeiros sobre quais arquivos executivos seriam tornados públicos.

As novas ordens do presidente Obama vão muito além do padrão de seus predecessores, principalmente ao fechar, e não desacelerar, a porta giratória usada por pessoas que passam de bons contatos no governo a lobistas corporativos bem pagos. A promessa de transparência é encorajadora (apesar do impedimento da Casa Branca de Obama à tradicional participação de fotógrafos no primeiro dia de trabalho não ser). O presidente prometeu "um rompimento com os negócios tradicionais", com o uso da transparência. A nação dá as boas-vindas a esta promessa e irá acompanhar seu cumprimento.

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