Editorial: Obama adota linha dura para defender pacote de resgate em Washington

Ficamos satisfeitos em ver o presidente Barack Obama ser mais duro com os republicanos do Congresso que tentam sabotar o pacote de estímulo e recuperação e prejudicar ainda mais a economia. Uma vez que Obama fez campanha com a promessa de ações bipartidárias, esperamos que ele também seja duro com os democratas sem visão que ameaçam criar seus próprios problemas.

The New York Times |

Obama estava certo na quinta-feira quando alertou contra a redução da "escala e abrangência" da medida econômica. Em qualquer caso, o governo deveria ser mais ambicioso em seus gastos com o estímulo econômico, a recuperação e o crescimento.

Infelizmente, há muitos republicanos que não aprenderam a lição da última campanha (que os americanos rejeitam seus argumentos de que o governo é o inimigo e os cortes nos impostos são a resposta para todas as questões econômicas).

Seria muito irresponsável que o Congresso aceitasse os pedidos errados dos republicanos para cortar ou diminuir as porções do pacote econômico e modificar os gastos a longo prazo com a saúde, educação e infraestrutura. Nós aplaudimos Obama por ter dito: "O momento para ação é agora, porque sabemos que se não agirmos uma situação ruim se tornará dramaticamente pior. A crise pode virar uma catástrofe".

Obama precisa lembrar os republicanos que ganhou a eleição nestes termos e terá que endurecer com alguns democratas. O mesmo serve para a oradora da Câmara Nancy Pelosi e o líder da maioria no Senado Harry Reid, que têm sido muito tímidos em usar o seu poder.

No Senado, Ben Nelson, democrata de Nebrasca, passou o dia trabalhando com republicanos para modificar perigosamente sua versão da medida econômica. Que programas nocivos eles estavam tão desesperados para abandonar? Dinheiro para o sistema ferroviário Amtrak, cuja falta tem prejudicado uma reforma anual e deixou a América décadas atrás da maioria do mundo.

O estímulo a curto prazo (mais seguro desemprego e projetos prontos que colocariam os americanos para trabalhar) é uma das principais prioridades. Mas os republicanos alegam que gastar dinheiro em projetos que levariam um ou dois anos para serem desenvolvidos não faz sentido. De acordo com todas as projeções, esta será uma longa recessão com uma recuperação muito lenta. O dinheiro deve ser investido agora para ser usado e 2010 e 2011.

A ideia de que gastar dinheiro em infraestrutura é caro demais no projeto que espera aprovação do Congresso é igualmente absurda. A Sociedade Americana de Engenheiros pediu US$2.2 trilhões em verba para a reforma e melhoria de estradas e pontes, além de outras estruturas. Isso antes mesmo de considerar trens bala ou um sistema nacional de saúde.

Na Câmara, Pelosi terá que ajudar Obama a sobrepujar democratas protecionistas que já votaram em uma provisão que exigiria que projetos financiados pelo estímulo usem apenas aço e ferro americanos. Os democratas do Senado inseriram uma provisão ainda pior, exigindo que todo o material comprado com o dinheiro do estímulo seja feito no país. Isso foi diluído de certa forma, mas não o suficiente.

O plano "Compre América" pode incitar uma guerra comercial, que seria desastrosa para a economia americana e seus trabalhadores. É surpreendente que qualquer líder nacional tenha se esquecido do que aconteceu quando o governo tentou isso anteriormente. Lembra de Smoot-Hawley?

Sabemos que Obama é capaz de unir grupos díspares. Isso vem com uma tendência conciliadora que admiramos, mas esperamos que ele resista a ela agora. Obama fez concessões à versão da Câmara do projeto e nenhum republicano votou nela.

O presidente precisa explicar aos americanos que um estímulo econômico forte é essencial para a recuperação da economia. Se os republicanos do Senado ainda querem adotar táticas obstrucionistas, Reid deve cobrá-los por isso. Nenhuma obstrução a este pacote urgente sobreviveria uma certa indignação pública.

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