Editorial: O teste da Coreia do Norte

Há semanas a Coreia do Norte está falando sobre seus planos de lançar um foguete entre 4 e 8 de abril. Não importa se colocará um satélite em órbita ¿ como seu governo afirma ¿ ou testar um míssil de longo alcance, como a administração de Obama e muitos outros países suspeitam, Pyongyang alimentou novas tensões no Oeste da Ásia.

The New York Times |


O Japão pediu ao seu Exército que destruísse o míssil caso o lançamento falhasse e escombros caíssem em seu território. O Pentágono mandou dois navios interceptadores de mísseis para a costa coreana, e o secretário da Defesa americano Robert Gates disse, nesta segunda-feira, que eles agiriam apenas se parecesse que o míssil estivesse direcionado para o território de seu país. Por enquanto, a Coreia do Norte ameaçou tomar medidas drásticas não especificadas caso o Conselho de Segurança da ONU decida penalizar o país pelo lançamento.

Antes que as coisas piorem, pedimos que os norte-coreanos reconsiderem essa decisão ousada. A China, que possui um poder considerável ¿ é a principal fonte de fornecimento de óleo da Coreia do Norte ¿ precisa tentar convencer Pyongyang a desistir. Quando o presidente Barack Obama encontrar o presidente chinês, Hu Jintao, nesta quarta-feira, em Londres, os dois líderes precisarão discutir formas para que ambos moderem o comportamento instável de Pyongyang e para avançar em negociações que levem a Coreia do Norte a acabar com seu programa nuclear.

Infelizmente, esse tipo de comportamento impróprio é um procedimento padrão da Coreia do Norte. Em 2006, o país desafiou líderes mundiais e testou um dispositivo nuclear e um míssil de longa distância. O Conselho de Segurança impôs sanções que nunca foram completamente implementadas e pediu a Pyongyang para cessar qualquer teste que estivesse em andamento.

Nesse caso, o líder da Coreia do Norte, Jim Jong-il, que teve um derrame cerebral no ano passado, pode estar tentando mostrar que ainda é ele quem manda ¿ não importa o preço que seu país tenha de pagar. Ou Kim e sua gangue podem estar tentando se inserir na agenda lotada de Obama ou semear um atrito entre os membros das conversações hexalaterais sobre energia nuclear.

Seja qual for sua motivação, os Estados Unidos e seus parceiros ¿ Coreia do Sul, Japão, China e Rússia ¿ devem se concentrar no que é mais importante: pôr um fim no programa de armas nucleares da Coreia do Norte. No acordo de 2005, a Coreia do Norte fechou seu reator nuclear em Yongbyon ¿ fonte de plutônio para seis ou mais armas nucleares ¿ e prometeu desmantelar sua infraestrutura de construção de bombas.

Muito mais precisa ser feito. E os diálogos agora se fixaram em como a comunidade internacional irá verificar se a Coreia do Norte está cumprindo seus compromissos. O trabalho para desativar os equipamentos de Yongbyon reduziu consideravelmente e os norte-coreanos não receberam todos os fornecimentos de combustível que Washington e seus parceiros prometeram. A boa notícia é que a Coreia do Norte não está mais produzindo plutônio para bombas nucleares. Isso é crucial.

Se Pyongyang desafiar o Conselho de Segurança e testar um míssil, deverá haver uma condenação transparente e unificada. Mas Washington deve trabalhar com seus parceiros, o quanto antes, para achar uma maneira de voltar à mesa de negociações. Contudo, compromissos tortuosos, firmes e pacientes são a melhor chance de frear as ambições nucleares de Pyongyang e seu programa de míssil.

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