Editorial: O que a queda de Fujimori nos ensina

Cincinnatus, o romano que foi convocado a servir como ditador e voltou para sua fazenda depois de cumprir o trabalho, é uma exceção nos anais do poder. Mais comum é o líder que exerce grande influência em um momento de crise e rapidamente se esquece da diferença entre fins e meios e nunca paga por isso.

The New York Times |

Assim, achamos encorajadora a decisão da semana passada na qual um painel de três juízes da Suprema Corte do Peru decidiu que o ex-presidente do país, Alberto Fujimori, é culpado de abusos contra os direitos humanos e o sentenciou a 25 anos de prisão.

Pode-se dizer que Fujimori tenha tido um pouco de Cincinnatus. Ele era um obscuro professor de agronomia em 1990 quando foi eleito presidente e fez maravilhas: acabou com a superinflação, restaurou a estabilidade econômica e acabou com a organização terrorista Sendero Luminoso.

Mas ele também abusou de seu poder. Entre a lista de seus horríveis crimes, a corte o culpou pelo assassinato de 25 pessoas, incluindo um menino de oito anos, por um batalhão de morte militar. Em 2000, sob acusações de corrupção, Fujimori fugiu para o Japão. Convencido de ser um eterno herói, ele voou para o Chile em 2005 com plano de um retorno. Ao invés disso, ele foi extraditado para o Peru.

Em seu julgamento, Fujimori atacou seus promotores por não conseguirem distinguir entre "ódio e evidências". A corte, no entanto, entendeu que Fujimori é que não conseguiu distinguir entre excessos autoritários e a aplicação da lei.

Pode ser, como os partidários do ex-presidente afirmam, que o atual presidente do Peru, Alan Garcia (que também foi o predecessor de Fujimori), não seja grande melhoria. Mas se este é o caso, ele agora sabe que os cidadãos peruanos e seu sistema legal estão de olho.

Por isso este julgamento é tão importante. Tribunais internacionais, como aqueles que lidam com os crimes em Ruanda, Iugoslávia ou Serra Leoa são essenciais na batalha contra a tirania. Eles não tem o poder de limpar ou educar o próprio sistema judicial de um país afirmando a supremacia da lei.

Não importa quão popular Fujimori possa ter sido no Peru, no final de seu julgamento, as pesquisas de opinião pública descobriram que a maioria dos peruanos concorda que ele foi corretamente punido.

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