Editorial: O primeiro ano de governo de Barack Obama

Os Estados Unidos se encontram em um estado de profunda e justificável ansiedade por causa das vagas de emprego, hipotecas e duas longas e sangrentas guerras. O presidente Barack Obama não criou estes problemas e nenhum deles poderia ser resolvido em um ano. Mas 2009 ofereceu lições fortes e, às vezes, dolorosas a um novo presidente que luta para cumprir a grande promessa que foi sua eleição.

The New York Times |

O primeiro discurso de Estado da União de Obama , feito depois que esse editorial foi publicado, serviu de oportunidade para mostrar o que ele aprendeu e dizer aos americanos como ele pretende governar nos próximos três anos.

Não há dúvida de que o mundo esteja aliviado com o fato de Obama não ser George W. Bush. Ele está gerenciando a necessária retirada Iraque . A decisão dele de enviar tropas adicionais ao Afeganistão (a guerra necessária que o presidente Bush negligenciou desastrosamente) foi corajosa e estrategicamente correta. Ele conduz negociações a respeito do clima global ao invés de zombar delas.

Obama chega ao Congresso para discurso crucial
Obama fez seu primeiro discurso sober Estado da União na quarta-feira / AFP

Nos Estados Unidos, Obama conquistou um projeto de lei de recuperação econômica que foi pequeno demais mas evitou uma recessão ainda maior. Ele elevou os padrões de combustíveis para carros e indicou Sonia Sotomayor ao um Tribunal Supremo que se inclinava para a direita. Isso é bom, mas não o bastante.

O desemprego ainda é de 10%. Os banqueiros e seus lobistas (e grande parte do Capitólio) estão resistindo a reformas financeiras essenciais. O clima político em Washington é venenoso. O Partido Democrata está assustado com sua própria sombra. O único plano legislativo dos republicanos é censurar e obstruir.

Nós respeitamos a natureza deliberativa de Obama e também gostaríamos de ver cooperação bipartidária. Em 2009, Obama subestimou a determinação dos republicanos em bloquear qualquer coisa que ele propôs. Quando a economia estava implodindo, apenas três senadores republicanos votaram pelo projeto de estímulo absolutamente essencial; nenhum aceitou defender a reforma do sistema de saúde ou mesmo votar para encerrar a obstrução.

Enquanto deliberava e negociava, Obama deixou seus críticos definirem e distorcerem suas políticas. O público não esqueceu do verão de painéis da morte.

Obama precisa ser mais duro, mais rápido e mais claro. Se os republicanos querem continuar bloqueando projetos de lei que o país quer e precisa, ele deveria deixá-los obstruírem para que o público tome conhecimento. (Em dezembro passado, os republicanos no Senado tentaram bloquear os gastos anuais com Defesa porque uma extensão de benefícios de desemprego foi anexada a ela. Depois que isso fracassou, eles votaram no projeto em grande número.)

Ao invés de retroceder na reforma do sistema de saúde para cortejar os republicanos, ele pode tentar desafiá-los a propor um plano sério - que ofereça segurança real para todos os americanos e tenha chance real de controlar os gastos.

Ainda que Obama precise ser mais duro e mais vocal, seria um engano para ele concluir que o necessário agora é uma espécie de populismo ou uma guinada para a esquerda.

Depois do financiamento do resgate com o dinheiro dos contribuintes, ele tem razão em pedir impostos maiores para os bancos (e deveria  apoiar o projeto da Câmara que busca tributar as obscenas gratificações dos banqueiros). Mas ele tem que lidar com os assuntos centrais que quase arruinaram a economia e insistir em reformas rigorosas do sistema financeiro.

Obama teve razão em propor um painel bipartidário para a redução deficitária e foi uma hipocrisia dos republicanos do Senado se recusarem a votar. Nós estamos tão preocupados quanto a maioria dos americanos a respeito do déficit, mas agora o país não precisa que Obama seja um falcão do déficit.

A lição de 2009 foi que os americanos precisam de empregos e ajuda com suas hipotecas. O setor privado parece incapaz de impulsionar uma recuperação independente em breve. Isso significa mais gastos com estímulo, não menos, certamente muito mais do que os US$ 154 bilhões do projeto de lei aprovado pela Câmara.

Em um ano como presidente, Obama frequentemente nos lembrou que ele é um orador talentoso, capaz inspirar com sua ampla visão de mundo e com a forma franca como diz a verdade. O Estado da União foi uma boa oportunidade para lidar com os grandes debates e deixar claro que ele continuaria adiante com os cuidados médicos e desafiaria os republicanos a trabalhar com ele ou sair do caminho. Ele era necessário.

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