Editorial: O presidente Barack Obama e o Irã

O presidente Barack Obama adotou um novo tom construtivo para tentar envolver o Irã. Ele afirmou a uma emissora de tevê árabe: Se países como o Irã estiverem dispostos a desfazer seu punho, encontrarão uma mão estendida por nós. E ele mostrou uma refrescante humildade depois da arrogância da gestão Bush: Os americanos não são seus inimigos. Nós algumas vezes cometemos erros.

The New York Times |

As políticas falhas do presidente Bush aproximaram assustadoramente o Irã da habilidade de construir uma arma nuclear e lhe deram enorme influência regional. A nova gestão terá que lidar com o Irã em um contexto mais amplo, não apenas em relação à questão nuclear, mas também a respeito do Iraque e Afeganistão.

Não sabemos se existe uma mistura de incentivos ou sanções que pode fazer com que o Irã abandone suas ambições nucleares, mas temos certeza que a gestão Bush nunca tentou descobrir isso. Isso significa não apenas negociações diretas, mas também incentivos diplomáticos muito mais persuasivos, incluindo uma oferta real de melhoria no relacionamento e garantias de segurança. A cooperação com a Grã-Bretanha, França e Alemanha permanece essencial (e uma pressão ainda maior para envolver russos e chineses também).

Não iremos minimizar as dificuldades. Cientistas do Irã trabalham agressivamente para dominar a produção de combustível nuclear (a parte mais difícil da construção de uma bomba). Eles acabam de colocar um satélite em órbita, sinal de que seu programa balístico de foguetes está avançando. É difícil analisar as políticas de Teerã, mas temos certeza que os linha-dura irão tentar sabotar qualquer abertura que exija concessões em qualquer um de seus programas.

Também haverá fortes vozes em Washington argumentando contra qualquer compromisso e algumas pedindo até mesmo uma ação militar (uma medida que seria desastrosa). O apoio do Irã ao Hamas e Hezbollah, sua ameaça contra Israel e o tratamento abismal que concede a seus cidadãos ampliarão essas vozes.

Mas vimos os resultados da recusa da gestão Bush em se envolver. Chegou a hora de pelo menos testarmos as intenções de Teerã em todos os frontes.

Isso pode ser mais fácil se a agenda de negociações for ampliada para incluir Iraque e Afeganistão. Em 1998, o governo fundamentalista xiita do Irã quase entrou em guerra com o fundamentalista sunita Taleban do Afeganistão. Depois que os Estado Unidos expulsaram o Taleban em 2001, Teerã teve um papel construtivo, ajudando Washington e outros países a estabelecerem um novo governo no Afeganistão. Aquela limitada cooperação rapidamente azedou e o Irã tem sido acusado de oferecer apoio ao Taleban em uma tentativa de manter os americanos desestabilizados. Obama precisa lembrar o Irã que a derrota do Taleban e a estabilidade do Afeganistão é de seu interesse.

O relacionamento do Irã com o Iraque (onde xiitas aliados a Teerã mantêm importantes cargos de liderança) é muito mais complicado. Analistas debatem quanto controle o Irã busca no país e quanto esforço está fazendo atualmente para conter os extremistas. Mas como os Estados Unidos, o Irã não pode possivelmente querer que a Arábia Saudita, Turquia e outros países vizinhos apreendam partes do Iraque quando as tropas americanas deixarem o país. Obama pode argumentar muito bem que é de interesse estratégico do Irã participar de negociações regionais que buscam garantir a estabilidade e soberania ao Iraque a longo prazo.

Obama não presume boa vontade por parte de Teerã. Seus assistentes afirmam que ele pessoalmente persuadiu Stuart Levey, do Departamento do Tesouro que pessoalmente buscou formas criativas de implementar as políticas de sanções de Bush, a continuar no cargo.

A secretária de Estado Hillary Clinton deve indicar Dennis Ross para coordenar o esforço em  relação ao Irã e integrá-lo com uma estratégia mais ampla para o Iraque, Afeganistão e a região. Ross, que passou anos tentando negociar a paz entre Israel e Palestina, tem grande apreço pela história e uma reputação de não desistir nunca. Tudo isso e mais será necessário para que isso funcione.

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