Editorial - O plano público de Obama

Pelo bem do projeto para o sistema de saúde, o presidente Barack Obama está dando indícios de que pode acabar com o plano de seguro feito pelo governo, para competir com as seguradoras privadas e manter baixo os preços do seguro de vida.

The New York Times |

 Ele não deveria desistir sem antes tentar uma forte alternativa para atingir os mesmos objetivos ¿ e, até agora, não há nada muito bom no horizonte político.

Todas as versões atuais da reforma no sistema de saúde poderiam criar trocas nos seguros, onde dezenas de milhões de americanos sem esse serviço. Essas pessoas, que não estão entre os grupos com cobertura ou trabalhadores em pequenas empresas, poderiam comprar apólices de seguros tanto de seguradoras privadas quanto do novo programa do governo. Enquanto o plano público tem sido demonizado por opositores e o governo federal toma o controle do sistema de saúde, a ideia é aumentar a competição entre as seguradoras e dar aos consumidores mais escolhas.

Uma alternativa seria criar cooperativas coletivas não-lucrativas para competir com seguradoras privadas. Elas provavelmente não teriam poder de compra como um plano do governo. E os republicanos já estão dizendo que também se opõem às corporativas.

Além de a ideia do plano público nos dá uma sensação boa, ela também não é indispensável. Não tem nada a ver com a cobertura de pessoas sem seguros. Como também, não ficou claro se o plano possui a capacidade de reformar hospitais e outros provedores de cuidados médicos para manter os custos as saúde baixos (e os seguros de vida).

Mas, se feito de forma certa, o plano público traria benefícios reais. Provavelmente, conseguiria fornecer seguros de vidas mais baixos do que os planos privados, porque não seria movido por lucros e poderia negociar ou exigir dos hospitais e médicos preços melhores. Ele poderia fornecer uma segurança para aqueles que não confiam em seguradoras privadas. E também economizar o dinheiro do governo federal. Como parte de qualquer reforma, o governo subsidiaria a compra de seguros para pessoas de baixa renda. No plano da Câmara, esses subsídios seriam baseados em uma média de seguros de vida nos três tipos mais baratos, e uma opção pública de baixo custo ajudaria a baixar essa média.

Infelizmente, a legislação da Câmara avançou, o plano público proposto está perdendo cada vez mais o poder de impor pagamentos baixos aos hospitais e médicos ¿ como o governo sempre faz com a Medicare ¿ o que é crucial para manter o preço baixo dos seguros de vida.

Um projeto introduzido por três comitês, que pagariam médicos e hospitais com base nas taxas da Medicare, foi projetado para economizar US$ 75 bilhões em 10 anos. Os democratas conservadores colocaram uma emenda no plano que permite ao secretário de Saúde e Serviços Humanos negociar preços com os fornecedores ¿ uma abordagem que pode economizar de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões, no máximo.

Se Obama quer jogar fora o enfraquecido plano público para moderar a oposição exaltada, ao invés disso, ele deveria dizer em que vai insistir.

No mínimo, deveria haver uma regulamentação bem rigorosa para todos os seguradores para promover uma competição e preços justos, além de subsídios importantes para ajudar pessoas de baixa renda a comprar seguros. Se a competição entre os planos privados fracassar em manter os custos baixos, deveria haver uma provisão para introduzir o plano público.

Estamos sinceramente céticos de que qualquer compromisso seja o suficiente para satisfazer os opositores republicanos da reforma no sistema de saúde. Se a Casa Branca e os líderes democratas decidirem fazer isso sozinhos, e talvez isso deva acontecer, eles deveriam restabelecer um plano público bem forte. É a melhor maneira de realmente dar escolhas aos americanos.


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