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Editorial - O perigo presente do Compre Americano

Não é surpresa que os democratas do Congresso não tenham conseguido resistir a adicionar uma provisão Compre Americano ao pacote de estímulo fiscal do começo deste ano. Pode parecer razoável (ou ao menos politicamente útil) garantir que os dólares dos contribuintes sejam usados exclusivamente para apoiar empregos americanos.

New York Times |

Mas conformes Estados e municípios começam a gastar o dinheiro do estímulo, a ideia se mostra contraproducente como deveria ter parecido desde o início. Ela tem gerado conflitos com os aliados deste país e, ao invés de promover os empregos domésticos, pode no final custar empregos americanos.

Companhias nacionais e estrangeiras que empregam centenas de trabalhadores deste país não puderam se candidatar para participar de projetos governamentais porque não podem garantir que a proveniência de todo ferro e aço de seus produtos é americana, como exige a provisão. Outras lutam para encontrar alternativas feitas nos Estados Unidos para substituir fornecimentos estrangeiros.

A companhia de aço Duferco Farrell, por exemplo, pode ter que demitir 600 trabalhadores na Pensilvânia depois de perder seu maior contrato porque parte de seus produtos são feitos no exterior, de acordo com as notícias. A Westlake Chemicals de Houston perdeu vendas para uma fabricante de canos plásticos canadense que diminuiu sua produção porque não pode participar da concorrência por trabalhos nos Estados Unidos.

Parceiros comerciais da América esperavam mais do presidente Barack Obama, que assinou uma declaração contra o protecionismo na cúpula das maiores nações do mundo em abril. Ele convenceu o Congresso a acrescentar uma cláusula a seu esforço "compre americano" prometendo que Washington cumpriria seus acordos internacionais. Mas as cidades e alguns Estados não estão presos a estas regras da Organização Mundial do Comércio ou da Nafta. Alguns aliados, e muitas companhias americanas, esperam que o presidente tente persuadir governos locais a cumprirem as lei federais, mas em abril o Gabinete de Gerenciamento de Orçamento emitiu um manual ínterim que não oferece tais regras.

Na ausência de liderança do presidente, a tentação de se voltar ao protecionismo está crescendo. Centenas de municípios e alguns Estados assinaram a resolução Compre Americano sob pressão do Sindicato dos Metalúrgicos Unidos. Além disso, políticos da Câmara dos Representantes adotaram provisões que exigem o uso de materiais americanos em projetos para a melhoria da qualidade da água e construção de novas escolas.

Enquanto isso, representantes da Austrália, Brasil, Canadá, União Europeia, Japão e México debatem como responder ao protecionismo americano. Depois que companhias canadenses foram proibidas de concorrer a serviços nos Estados Unidos, as notícias confirmam que cerca de 12 cidades canadenses aprovaram leis contra o consumo de produtos americanos. Além disso, a Federação de Municípios Canadenses irá discutir uma possível resposta coordenada em seu encontro deste mês.

Setores como o de água e esgotos são altamente integrados com seus similares canadenses, com as exportações para o Canadá somando US$ 6.2 bilhões e as importações cerca de US$ 4 bilhões em 2008. De acordo com a Câmara Americana de Comércio, a retaliação de cidades canadenses pode custar às companhias americanas de equipamentos para água cerca de US$ 3 bilhões em prejuízos.

Uma análise feita no começo deste ano por Jeffrey Schott e Gary Clyde Hufbauer do Instituto Internacional de Economia Peterson em Washington estimou que a provisão Compre Americano poderia "salvar" 9 mil empregos nos Estados Unidos (um número minúsculo em comparação aos 650 mil empregos apoiados pela procura internacional de exportações americanas).

Na verdade, seja do ponto de vista da diplomacia ou da criação de empregos, o Compre Americano é uma ideia terrível. A ideia que pode piorar a recessão global.

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