Editorial - O orçamento do presidente Barack Obama

O primeiro orçamento do presidente Barack Obama reconhece o que grande parte de Washington tem sido temerosa demais ou simplesmente ideologicamente cega para admitir: para se recuperar das políticas econômicas descuidadas de George W. Bush, os impostos terão que subir.

The New York Times |


O plano de Obama, divulgado na quinta-feira, se compromete a cortar em mais de dois terços, até 2013, o déficit orçamentário de US$1.75 trilhões que Bush despejou sobre a nação.

Uma promessa digna para a redução do déficit é imperativa. Sem ela, as financiadoras estrangeiras (que financiaram os déficits da era Bush e agora estão pagando pelo estímulo financeiro e resgates) podem perder a fé na habilidade e disponibilidade do país em pagar em algo mais do que o cada vez menos valorizado dólar. Isso elevaria os juros e colocaria a economia em declínio, no pior cenário. Controlar o déficit também é necessário para sustentar a recuperação (quando ela vier).

A ruína da economia da era Bush é ampla e uma terrível evidência da insensatez do crescimento irrestrito alimentado pelo débito. A gestão Obama reconheceu a necessidade dos gastos com déficit estimularem a economia mas prometeu que a falta de prestação de contas por parte do governo não se tornará a regra. A julgar pelo plano, Obama não está apenas fazendo jogo.

Muitas das melhorias nos gastos orçamentários dependem da recuperação econômica em 2010, o que pode ou não acontecer. Mas grande parte depende do aumento dos impostos. O aumento proposto sinaliza uma tentativa séria de lidar com o déficit de forma a restaurar a justiça a um código fiscal que por tempo demais favoreceu os americanos mais ricos, resultando na falta de verba que desproporcionalmente pesava sobre todos os outros. Ao mesmo tempo, Obama propôs um aumento separado e focal para ajudar a pagar pela reforma do sistema de saúde de forma a não cavar um buraco ainda maior no orçamento.

Todos estes aumentos propostos se aplicam a casais que recebem mais de US$250,000 (US$200,000 para solteiros) e que representam cerca de 3% dos contribuintes. Nenhum será grande o suficiente para prejudicar a recuperação econômica. E ao contrário do que protestam os republicanos, eles não impõem fardos externos aos pequenos negócios: a maioria dos proprietários individuais não fazem nem perto de um quarto de milhão de dólares.

Para combater o déficit, Obama propõe deixar que os cortes fiscais de Bush expirem em 2011, aumentando o índice mais alto de 35% para 39.6%. Ele também imporia uma taxa de 20% sobre a renda de investimentos, um valor acima dos 15% atuais. E ele reinstauraria uma provisão tributária criada pelo primeiro presidente Bush, mas desfeita por seu filho, que limitava as deduções fiscais de contribuintes abastados por seus dependentes e outras despesas, como juros sobre a hipoteca de casas de férias.

A proposta também pede a tributação de parceiros igualitários particulares como o resto de nós. Na lei atual, peritos multimilionários pagam imposto sobre sua renda de acordo com as menores taxas de juros do código fiscal. No orçamento de Obama, sua renda deixará de ter status favorecido e será tributada como a renda comum dos mortais comuns.

Ninguém que realmente acredita em responsabilidade fiscal deveria se opor aos aumentos propostos. Ainda assim, cada um deles oferece o presságio de disputas políticas. Em questão está não apenas a tributação dos americanos mais ricos ou debates de ano de eleição, mas as dificuldades da vida real de pessoas que precisam ser afastadas do vício de dívidas insustentáveis (seja isenções fiscais que não foram pagas ou compras super facilitadas ou hipotecas ruins). O desafio foi evitado por tempo demais.

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