Editorial ¿ O novo comandante da guerra no Afeganistão

A guerra no Afeganistão não está indo bem. E o presidente Barack Obama tem o direito de escolher seu comandante. Esperamos que a decisão desta semana, de dispensar o general David McKiernan e colocar em seu lugar o tenente Stanley McChrystal, mostre que o presidente e sua equipe estão pensando em uma nova estratégia, combinando táticas agressivas contra insurgências com desenvolvimento econômico. Essa é a única chance de dar a volta por cima em uma guerra decisiva, a qual os EUA não estão ganhando.

The New York Times |


Também esperamos que McChrystal, especialista em operações especiais, faça um trabalho melhor que limite o número de mortes de civis, o que acaba levando ainda mais afegãos para o campo do Taleban.

Ganhos contínuos do Taleban trariam ainda mais sofrimentos para o povo afegão. Isso também significaria refúgios maiores para terroristas conspirarem ataques contra os EUA e a Europa e mesmo uma grande instabilidade no Paquistão. McChrystal, um oficial talentoso e de linha dura, impressionou seus superiores durante seus cinco anos no comando de missões em operações especiais no Afeganistão e no Iraque. Essa é uma forte retomada. Mas outras qualidades também são necessárias.

O sucesso no Afeganistão requer um treinamento eficiente para o Exército afegão e forças policiais que possam se manter, o fortalecimento de instituições locais e um esforço para frear a corrupção oficialmente negligenciada e o tráfico de drogas que colocam muitos afegãos contra seu próprio governo local e nacional. E isso exigirá habilidade diplomática com outros generais da OTAN, para garantir o melhor uso das toneladas de tropas aliadas no Afeganistão, e com os líderes paquistaneses, que sempre negam a presença de abrigos dentro de suas fronteiras e a infiltração de rotas de combatentes do Taleban.

McKiernan não merece a culpa pela triste situação militar no Afeganistão. O Taleban ganhou muito território antes de ele assumir o cargo, em grande parte porque a administração Bush ¿ focada em sua mal direcionada guerra no Iraque ¿ fracassou por tanto tempo em investir em tropas, recursos e atenção adequados ao conflito no Afeganistão.

McKiernan declarou publicamente que eram necessárias muito mais tropas americanas. Ele estava certo, e agora mais tropas estão a caminho. Mas isso, aparentemente, não é o suficiente para o secretário da Defesa Robert Gates ou para o comandante geral da região, general David Petraeus.

Os desafios agora recaem sobre McChrystal, cuja impressionante reputação militar se deve em parte sobre façanhas incríveis como a captura de Saddam Hussein e a localização e execução de Abu Musab al-Zarqawi, líder da Al-Qaeda na região da Mesopotâmia. Ambas as operações foram realizadas pelas forças especiais sob seu comando.

Houve também fatos que chamaram menos atenção, como a relação de unidades sob seu comando em interrogações abusivas de prisioneiros iraquianos. Além disso, ele foi responsável pela aprovação de um relatório falsificado que acobertou um incidente com fogo amigável, em 2004, resultando na morte do oficial militar Pat Tillman, no Afeganistão.

Essas questões vieram à tona junto com sua confirmação, no ano passado, para seu cargo atual como diretor da Joint Staff (Junta de Chefes do Estado Maior, em tradução livre). Antes de confirmar a posse do novo comando, os senadores devem se garantir que ele tenha aprendido as duras lições a partir desses erros e de que insistirá em fornecer tratamento justo aos detentos e a ser leal em seus relatórios militares.


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