Editorial: O novo capítulo do pacote de resgate

Alguém deveria dizer ao secretário do Tesouro Timothy Geithner que uma coisa a se evitar em tempos de incerteza é o surgimento de mais perguntas.

The New York Times |

Quando ele anunciou o novo e melhorado pacote de resgate da gestão Obama, na terça-feira, Geithner certamente parecia ter digerido algumas das falhas da tentativa de resgate da gestão Bush (especialmente a falta de prestação de contas e transparência sobre como o dinheiro do contribuinte será gasto). Infelizmente, o resto do discurso atraiu, na melhor das hipóteses, um saudável ceticismo dos mercados, do público e dos legisladores    e na pior, ainda mais desconfiança.

Primeiro, não houve um novo plano de resgate e nenhum plano de ação firme, apenas esboços. Um esboço pede um novo fundo de investimento público e privado que compraria entre US$ 500 bilhões e US$ 1 trilhão dos investimentos ruins que estão prejudicando os números dos bancos.

Mas Geithner não disse como o Departamento do Tesouro irá operar este fundo. Ele também não falou sobre o tamanho de qualquer subsídio dos contribuintes ou outra garantias governamentais que podem ser usadas para encorajar investidores privados a participarem. Também sem resposta ficou a questão que prejudicou as tentativas oficiais de Bush em comprar estes mesmos bens: quanto deveríamos pagar por eles? Uma lista de fatos publicada pelo Departamento do Tesouro implicou que investidores particulares avaliariam o valor correto dos bens.

Outro esboço pede uma injeção maior de capital oferecido pelos contribuintes em bancos em dificuldades. Injeções anteriores deram errado porque os contribuintes não receberam uma parcela de ação que reflita os riscos. Não há sinais de que o problema será solucionado nesta versão do pacote.

Geithner não deu impressão de que o resgate de bancos terá relação significativa com o alívio às desapropriações. Ele prometeu usar US$ 50 bilhões para estancar as desapropriações "nas próximas semanas". Com quase 10.000 famílias enfrentando o problema diariamente, isso pode ser pouco.

A falta de ajuda às desapropriações é ainda mais decepcionante um dia depois que o presidente Obama falou em Indiana que apoia permitir que os proprietários falidos resolvam suas hipotecas sob proteção judicial, mas posteriormente. Depois de mais de um ano de aumento na inadimplência e a inevitável queda no preço dos imóveis, tal alívio é tão necessário quanto a ajuda direta para resgatar os bancos. Quanto mais os preços dos imóveis caírem, maior será a inadimplência sobre hipotecas feitas nestes mesmos bancos.

Quase imediatamente, a falta de clareza e direção das afirmações de Geithner começaram a dar espaço à especulação de que o plano "real" é um enorme subsídio aos bancos feito por baixo dos panos - às custas dos contribuintes.

Geithner e a equipe de Obama não deram detalhes suficientes sobre seu plano para que haja um debate produtivo. Nem explicaram porque é melhor do que outras ideias. Por exemplo, porque não se concentrar em subsídios  aos proprietários de imóveis ao invés de investidores particulares em bancos? O dinheiro seria afunilado através dos bancos de qualquer jeito, mas um maior propósito público pode advir de se concentrar mais no mercado imobiliário. Por que uma parceria pública-privada em ajudar bancos em dificuldades serve ao interesse público mais do que o governo reestruturar os bancos que irão falir sem apoio governamental?

A recepção negativa do plano de Geithner é infeliz porque o sucesso do estímulo depende do sucesso do resgate dos bancos. A gestão Obama tem que revelar os detalhes - e voltar à público com respostas.

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