Editorial - O mundo de acordo com Dick Cheney

O vice-presidente Dick Cheney tem uma mensagem de despedida para os americanos: Eles deveriam parar de reclamar das coisas que ele e o presidente Bush fizeram para prejudicar o poder da lei, acabar com o equilíbrio de poder entre a Casa Branca e o Congresso, abusar de prisioneiros e espionar ilegalmente seu próprio povo. Afinal de contas, segundo ele, Franklin Roosevelt e Abraham Lincoln fizeram pior do que isso.

The New York Times |

Então, Cheney e Bush conseguiram evitar a repetição de dois dos piores abusos de poder cometidos na história americana - a decisão de Roosevelt de forçar os americanos japoneses a irem para campos de concentração e a declaração de que Lincoln usou a lei marcial contra seus críticos? Isso não é exatamente um padrão de comportamento a ser seguido.

Mesmo assim, deve ser cansativo reescrever a história tanto quanto Cheney fez em uma série de entrevistas antes da sua partida na qual deu estes comentários. Parece que tudo foi ótimo nos anos Bush.

A invasão do Iraque foi a coisa certa a se fazer, não uma guerra desnecessária que exigiu enganar os americanos. O período pós-invasão não foi estragado a ponto dos americanos serem mortos por uma insurgência que a equipe de Bush não viu ser organizada.
Os horrores de Abu Ghraib não resultaram da decisão do Pentágono de autorizar técnicas ilegais e abusivas, apoiadas por Cheney. E apenas três homens foram vítimas do afogamento. (Comissões do futuro anotem isso.)

Na realidade de Cheney, o déficit orçamentário foi causado principalmente pelas duas guerras e por programas essenciais como "a melhoraria da segurança de nosso transporte de contêineres".

Ou não. O programa da equipe de Bush de fiscalizar mercadorias para detectar materiais nucleares chegando ao país por ar, terra e mar esteve envolto em atrasos, custos excedentes e dúvidas sobre sua eficácia. Em relação ao déficit, o Gabinete de Orçamento do Congresso afirmou que os cortes fiscais de Bush-Cheney para os ricos foram a causa do país ter entrado no vermelho.

Alguns dos comentários de Cheney eram de interesse próprio (como quando o jornal The Washington Times o incitou a dizer que mesmo que o mundo ache Bush insensível às perdas da guerra, o próprio Cheney fez uma missão "secreta" para confortar a família dos mortos).

Cheney foi simplesmente desonesto sobre a decisão de Bush em autorizar a espionagem dos telefonemas internacionais de americanos sem autorização judicial. Ele alegou que a Casa Branca manteve as lideranças democrata e republicana no Congresso completamente informadas sobre o programa que começou no final de 2001. Ele disse ainda, que coordenou pessoalmente uma reunião em que "foram unânimes, tanto republicanos como democratas" ao dizer que o programa era essencial e não exigia maior envolvimento congressional.

Mas em uma carta enviada a Cheney no dia 17 de julho de 2003 o senador Jay Rockefeller, então vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, disse que queria "reiterar" as preocupações que havia expressado na "reunião de hoje". Ele disse "as atividades que discutimos geram profundos problemas de fiscalização" e criam "preocupações em relação a direção que a gestão está tomando em relação a segurança, tecnologia e fiscalização".

Cheney zombou do vice-presidente eleito Joseph Biden por dizer que não pretende ter o seu próprio "governo de sombra" na Casa Branca. Cheney disse que caberá a Biden decidir se quer continuar a "diminuir o papel do vice-presidente".

Com base no histórico de Cheney e seu padrão para essas coisas, temos certeza que uma diminuição do gabinete será boa para o país.

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