Editorial - O momento da prestação de contas

Se havia alguma dúvida sobre como o presidente Obama tem lidado com a multitude de desastres deixados para trás por George W. Bush, a começar pela crise econômica, isso não passava de um desejo de vermos mais do candidato Barack Obama no presidente Barack Obama. Ele não tem sido assertivo, ambicioso, claro (ou audacioso) o suficiente.

The New York Times |


O primeiro discurso de Obama a uma sessão conjunta no Congresso na terça-feira foi sua chance de mudar isso e ele conseguiu. Obama soou confiante (prometendo que a nação irá reconstruir e "emergir mais forte do que antes") sem minimizar os graves problemas que precisa sobrepujar para isso.

Ele estabeleceu uma linha divisória entre suas opiniões sobre as responsabilidades do governo e as dos republicanos que ajudaram a criar esta bagunça e têm teimosamente deixado de ajudar Obama a limpá-la.

Obama disse com razão que os problemas econômicos do país não "começaram quando o mercado imobiliário ruiu e o mercado de ações declinou".

Ele disse que a nação há muito sabe que precisa acabar com sua dependência do petróleo, reformar o sistema de saúde e consertar suas escolas. E ainda que todos estes desafios tenham seguido sem solução, nós ainda conseguimos gastar mais dinheiro e acumular dívidas, tanto como indivíduos quanto através de nosso governo, do que nunca anteriormente", ele disse.

A crise econômica exige ação imediata, ousada e totalizadora. Na noite de terça-feira, Obama mostrou a ambição e o ponto de vista  arrasador que o fez conquistar a Casa Branca (e que a crise exige).

Obama disse que recuperar a economia e resgatar o sistema bancário da nação não apenas pode ser, mas precisa ser, conseguido ao mesmo tempo que a reforma do sistema de saúde, o investimento na educação e a descoberta de novas fontes de energia.

A mudança foi um alívio depois da forma com que lidou com o pacote de estímulo. O desejo de Obama de manter a promessa de campanha de bipartidarismo é admirável, e ele pode até conseguir sanar as divisões de Washington com o tempo. Mas ele e seus assessores tentaram demais conseguir o apoio de uma oposição que não mostra sinais de reciprocidade. O pacote resultante era menor e menos concentrado do que precisava ser para lidar com os profundos problemas da economia.

Nós esperamos que Obama use sua proposta orçamentária para 2010, que revelará esta semana, para pressionar sua agenda econômica.

Obama disse que irá acabar com as isenções fiscais que Bush criou para os ricos. Mas somente isso não conseguirá diminuir o déficit orçamentário pela metade em quatro anos, tampouco o fará os outros cortes que ele anunciou na noite de terça-feira. Para conseguir isso, ele inevitavelmente terá que aumentar mais impostos.

Na noite de terça-feira, Obama também prometeu priorizar a reforma do sistema de saúde. Ele disse que não tem "ilusões" de que o processo será fácil mas insistiu que "não pode esperar, não tem como esperar e não irá esperar outro ano".

O presidente tem razão. O aumento no número de americanos desempregados e sem plano de saúde, além dos negócios em dificuldades precisam de ajuda para arcar com o fardo do alto custo da saúde. O momento de agir com ousadia é agora, enquanto a necessidade é grande e a popularidade de Obama ainda é alta.

Uma decepção no discurso de Obama foi sua falha em oferecer clareza a respeito de seu plano de resgate para o sistema bancário da nação. Ele disse que não irá oferecer resgates "sem restrições"

Mas ele ofereceu ainda menos detalhes específicos do que nas últimas semanas. As escolhas são indiscutivelmente difíceis, e Obama pode estar tentando manter suas opções abertas. Sua equipe parece nervosa a respeito do aumento da necessidade óbvia de algum tipo de controle governamental a algum dos  maiores bancos. Se Obama tem um plano melhor, o país precisa saber disso rápido.

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