Editorial: o mito da fraude eleitoral

O Missouri e pelo menos outros 19 Estados consideram aprovar leis que obrigarão as pessoas a comprovar sua cidadania antes de votar. Esses projetos não são um esforço sincero em prevenir não cidadãos de votarem; são um problema inventado. O alvo real é reduzir a presença de eleitores nas urnas. Os republicanos parecem pensar que leis como essa irão ajudá-los a vencer a eleições, mas essas regras complicadas representam uma séria ameaça à democracia e devem ser impedidas.

The New York Times |

A lei do Missouri, como relatou Ian Urbina na The Times de segunda-feira, criaria uma emenda à Constituição do Estado e exigiria uma prova de cidadania de qualquer um que quisesse se registrar para votar. Além da emenda no Missouri, que exigiria aprovação dos eleitores, Flórida, Kansas, Carolina do Sul e outros Estados consideram regras semelhantes.

Não há evidências de que o voto de não cidadãos seja um problema significante. Imigrantes ilegais fazem o máximo para permanecer nas sombras, para evitar atrair a atenção do governo e se arricar à deportação. É difícil imaginar que muitos iriam até um centro eleitoral, na presença da polícia, para tentar votar.

No entanto, há evidências de que o pedido de comprovação de cidadania impedirá eleitores elegíveis de votar. Muitas pessoas não têm certidão de nascimento ou outra prova de cidadania aceitável, e para alguma pessoas, essa documentação não existe. Uma eleitora de Missouri, Lillie Lewis, afirmou em uma coletiva de imprensa na semana passada que as autoridades do Mississippi, onde ela nasceu, disseram não ter registro de seu nascimento.

A prova da cidadania é apenas uma de uma rede de novas barreiras ao voto que se espalha pelo país. Indiana adotou o uso de título eleitoral com foto dizendo, apesar das objeções dos democratas, que isso impediria o voto de eleitores não elegíveis. Os críticos tinham razão. Nas primárias da semana passada no Estado um grupo de 12 freiras entre 80 e 90 anos foi impedido de votar por não ter um documento aceitável.

Já a proposta de emenda no Missouri, a principal motivação por trás da exigência de identidade não é um esforço genuíno para impedir a fraude, uma vez que não há evidências que exista algum tipo de personificação na hora do voto. Mas sim, um cálculo do Partido Republicano. Barreiras nas urnas fazem com que menos pessoas votem, especialmente entre pobres, estudantes e minorias raciais grupos que têm chances menores de ter carteiras de motorista e que costumam votar nos democratas.

A imposição de um exigente novo requerimento ao voto se tornou uma questão de partido, mas não deveria ser. Essas regras são um ataque à própria democracia. A atual conservadora Suprema Corte mostrou no mês passado, em sua decisão de aprovar a lei em Indiana, que não irá representar seu papel histórico de proteger os eleitores. Isso coloca um fardo sobre legisladores estaduais, governadores, cortes locais, e cidadãos para que garantam que o direito ao voto não seja tirado por algum ganho partidário.

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