Editorial - O horror de um aperto de mãos

Os republicanos têm previsto o declínio do poder americano desde que o presidente Barack Obama foi fotografado na cúpula regional da semana passada apertando a mão do presidente Hugo Chávez da Venezuela e (suspiro!) sorrindo.

The New York Times |

O ex-vice-presidente Dick Cheney alertou que o ato de civilidade seria visto como sinal de "fraqueza". Newt Gingrich, que pode estar preparando suas habilidades de ataque para uma disputa presidencial, disse que o comportamento de Obama encoraja os "inimigos da América".

Nós não temos paciência para Chávez. Ele foi eleito como representante dos pobres e se transformou em um autocrata padrão (usando o antiamericanismo para divergir a atenção do fracasso de suas políticas econômicas e de um abuso de poder cada vez mais audacioso).

Mas a Venezuela não é uma ameaça estratégica e este país pagou um preço alto demais tanto em poder quanto em influência pela postura agressiva do ex-presidente George W. Bush.

Obama foi eleito por prometer fazer as coisas de maneira diferente. Na cúpula das Américas, anos de antagonismo foram substituídos por uma vontade de começar novos relacionamentos com Washington. Obama desarmou a bravata de Chávez com aquele aperto de mãos e sua promessa de um "novo começo" com Cuba.

Claro, Obama tem que fazer ainda mais: oferecendo mais e pedindo mais de seus semelhantes. Mesmo ao tentar negociar com Cuba ao facilitar (e, esperamos, eventualmente encerrar) um embargo contraproducente, ele deve pressionar Havana a respeito de direitos humanos e reformas democráticas. Ele deve pressionar Chávez nas mesmas questões.

A lógica de sua estratégia para o Irã é dar a Teerã uma chance de quebrar o gelo com ofertas de negociações e incentivos econômicos e de segurança. Se Teerã não aceitar a oferta (os primeiros sinais não são promissores) ele deve construir apoio para sanções internacionais mais rígidas para restringir o programa nuclear iraniano.

O presidente também terá que pedir mais dos amigos da América. A Europa o tratou como astro do rock durante sua passagem pelo continente, mas ele não conseguiu o apoio necessário para a missão da Otan no Afeganistão.

Nada disso será fácil e Obama será responsabilizado por cada passo que der (não apenas por sua retórica e fotografias bem tiradas). Mas começar com um aperto de mãos ao invés de um punho fechado faz muito mais sentido.

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