Editorial - O genocídio em Darfur continua

Apesar do envio de forças de paz das Nações Unidas a Darfur e da emissão de mandados de prisão internacionais para líderes do genocídio, a matança continua. Da mesma forma os incêndios criminosos às vilas, o bombardeio de escolas e o estupro sistemático de meninas e mulheres. Isso irá continuar até que o Conselho de Segurança impeça.

The New York Times |

O Conselho precisa de mais soldados, helicópteros e aviões de reconhecimento em ação, garantir a efetivação dos mandados de prisão e aumentar a pressão diplomática e financeira para impedir que o Sudão continue a atrapalhar o trabalho das forças de paz. Mas mostra pouca urgência em fazer isso.

Ameaçada pelo Sudão e pelas próprias regras burocráticas das Nações Unidas, menos da metade dos 26,000 soldados internacionais e policiais agem nesse momento na força de paz de Darfur. Isso é pouco para proteger a população, ou a própria força. Outras 100,000 pessoas foram expulsas de suas casas desde que a força de paz chegou ao país em janeiro.

O Conselho (e separadamente a União Européia) precisam garantir que os líderes de Khartoum paguem um alto preço por sua crueldade através de sanções financeiras e a vistos contra os que coordenam o genocídio, bem como ampliar o embargo às armas. A Corte Criminal Internacional deve ter amplo apoio do Conselho quando apresentar as acusações no próximo mês.

A responsabilidade pelos horrores de Darfur estão unicamente nas mãos do governo do Sudão. Seu exército, força aérea e inteligência participaram diretamente nos ataques. Ministros coordenaram a campanha de genocídio. Ahmad Harun, procurado pela Corte Criminal Internacional por planejar atrocidades quando era vice-ministro do interior, foi promovido a ministro de assuntos humanitários. Ele usou essa posição para bloquear a entrega de ajuda humanitária em campos de refugiados em Darfur e prejudicar a ação da força de paz.

Mas a minoria dos membros do Conselho, liderados pela China, deixou seus interesses econômicos no caso de Pequim, investimentos substanciais nos enormes estoques de petróleo do país prejudicarem sua responsabilidade moral e legal de uma ação em relação ao genocídio. Na semana passada, o presidente da China Hu Jintao usou uma linguagem mais forte do que o normal ao pedir que Khartoum coopere com a força de paz das Nações Unidas e garanta um cessar-fogo em Darfur. Se a China está preparada para colocar essas palavras em ação com uma linha mais dura no Conselho de Segurança, isso pode fazer uma enorme diferença.

A administração Bush está bem posicionada sobre a questão. Seu enviado especial, Richard Williamson, é um grande defensor da ação e Washington impôs sanções por si mesma. Mas será necessária uma ação maior do Conselho como um todo.

A situação em Darfur ainda tem esperança, mas sem um grande compromisso internacional pode perder até isso. Conforme disse o promotor da corte criminal ao Conselho de Segurança no dia 5 de junho, é preciso muito planejamento e organização para se cometer crimes em massa.

"Mas em grande parte exige apenas que o resto do mundo olhe para o outro lado e não faça nada", disse.

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