Editorial - O futuro dos planos de Obama para a energia

Durante sua disputa pela Casa Branca, Barack Obama prometeu transformar a forma como os americanos produzem e consomem energia. Tais promessas são fáceis durante campanha, mas no mundo real elas custam dinheiro e investimento político. Esta semana, em seu discurso ao Congresso, Obama deixou claro que está pronto para gastar ambos para combater a mudança climática e reduzir a dependência deste país dos combustíveis fósseis.

The New York Times |

Obviamente, grande parte do trabalho está adiante. O presidente precisa convencer todos do Congresso aos contribuintes americanos e à liderança chinesa para que o sigam. Nós aclamamos sua visão e o encorajamos a seguir adiante. Obama listou a energia, juntamente com a saúde e a educação, como crítica para o futuro econômico do país.

Ele encorajou o Congresso a aprovar uma lei que colocará limites obrigatórios e cada vez menores sobre as emissões de carbono de usinas e fábricas. Isso exigiria que os emissores investissem em fábricas mais eficientes e combustíveis mais limpos e, pelo menos inicialmente, deve elevar os preços da energia. 

Foi impossível ouvi-lo e não contrastar sua posição com os primeiros dias de Bush (com a rápida renúncia do presidente George W. Bush à sua promessa de campanha de controlar as emissões de carbono e sua concepção sem fundamento de que combater o aquecimento global apenas prejudicaria a economia americana).

O compromisso de Obama tem sido mais do que retórico. Com cinco semanas de presidência, ele deu sinais de que está pronto para regulamentar as emissões dos gases causadores do efeito estufa dos carros, caminhões e novas fábricas, além de exigir veículos de maior eficiência e investir pesado em fontes de energia eficientes (como trens de alta velocidade e a insulação de casas) bem como de fontes renováveis de energia como a eólica e solar. 

Quase um décimo de seu pacote de recuperação econômica, US$80 bilhões no total, será destinado a estes propósitos.

Sem surpresas, dado o Estado da economia americana, seu discurso falou menos sobre os perigos da mudança climática e mais sobre as promessas econômicas da energia limpa. Ele falou sobre o lucro que será conseguido pelas indústrias americanas e trabalhadores caso os Estados Unidos liderem no investimento para a criação de turbinas de vento, painéis solares mais eficientes e baterias da próxima geração (lembrando sua plateia que China, Alemanha e Japão estão melhores do que nós). 

Isso foi sábio. Enfatizar o potencial econômico de um programa que terá um custo substancial é certamente uma boa maneira de vendê-lo. 
Também há dúvidas enormes sobre como isso será feito. O último esforço do Congresso gerou uma lei de complexidade absurda. Para conseguir uma neste ou no próximo ano Obama terá que usar toda sua habilidade de persuasão.

Simplesmente reconhecer um problema não é o mesmo que lidar com ele. Quatro décadas se passaram desde que o presidente Richard M. Nixon pediu que o Congresso libertasse a nação de sua dependência do petróleo estrangeiro e o país está mais dependente do que nunca. Já faz mais de uma década que as nações industrializadas concordaram em Kyoto, Japão, em controlar as emissões de carbono, e as emissões continuam a aumentar. Obama desafia não apenas o país, mas a história.

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