Editorial: O estranho caso do governador Blagojevich

Vimos muita arrogância política, uma mão lavar a outra e até mesmo erros estúpidos ao longo dos anos. Mas nada poderia preparar o povo americano para as acusações feitas ao governador Rod R. Blagojevich de Illinois.

The New York Times |

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A gestão do governador já passava por uma investigação bastante pública sobre a possibilidade de ter vendido encontros com comissões e comitês estaduais e conceder contratos e empregos em troca de benefícios financeiros e contribuições de campanha.

Agora, o que o FBI alega ter descoberto ao observar Blagojevich? De acordo com um depoimento juramentado do órgão federal, nas últimas semanas o governador planejou vender a cadeira do Senado dos Estados Unidos recentemente vaga pelo presidente eleito Barack Obama a quem oferecesse mais.

Em troca de sua indicação, as autoridades dizem que Blagojevich procurava um salário substancial para si mesmo em uma fundação ou organização afiliada com sindicatos trabalhistas, uma posição de alto salário para sua mulher em comitês corporativos, uma posição de gabinete ou diplomacia para si mesmo ou promessas de ajuda em campanhas futuras.


Blagojevich detido em Illinois / AP

O depoimento juramentado também afirma que o governador pensou em dar o cargo a si mesmo caso não conseguisse algum benefício financeiro. Tudo isso foi registrado em escutas autorizadas em corte que qualquer alvo de investigação assumiria estar acontecendo.

O promotor Patrick Fitzgerald deixou claro que a acusação não tem nenhuma alegação contra Obama. Na verdade, cita Blagojevich amaldiçoando o presidente eleito e sua equipe "porque não estão dispostos a me dar nada além de apreciação".

Blagojevich também parece incomumente sensível às críticas para alguém tão aparentemente confortável com disputas agressivas, e pior, com a política. Ele foi gravado dizendo a seus assessores para que informassem o Tribune Co., que pediu falência essa semana, que não conseguiria nenhuma ajuda do Estado na venda do estádio Wrigley Field a menos que demitisse os membros da bancada editorial do jornal The Chicago Tribune que haviam pedido seu impeachment.

O democrata Blagojevich foi eleito em 2002 depois de prometer restaurar a honra ao gabinete do governo de Illinois. Seu antecessor, o republicano George Ryan, foi condenado e está na prisão por fraude federal e formação de quadrilha. Blagojevich pediu que o presidente George W. Bush diminuísse a pena de Ryan como um ato de compaixão. Não surpreende que ele tenha feito isso, no futuro ele pode precisar da mesma compaixão.

Blagojevich deve ser tratado como inocente até que se prove o contrário. Mas certamente as gravações de suas conversas, detalhando esquemas sujos, fazem com que ele não seja a pessoa certa para indicar ninguém, muito menos a si mesmo, para a cadeira vaga no Senado.

Se ele se recusar a se por de lado, o legislativo de Illinois deve afastá-lo, movendo um impeachment ou marcando eleições especiais. Certamente nenhum candidato com algum respeito próprio deve aceitar uma indicação de Blagojevich.

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