Editorial: O dia em que Bush lembrou do meio-ambiente

Tente isso em um globo, talvez no Google Earth: olhando o planeta de frente, gire até que o Havaí esteja um pouco ao norte e leste do centro. O que você vê (além das bordas da América e da Ásia, Nova Guiné e Nova Zelândia, e algumas ilhas) é azul. Este é o amplo palco no qual o presidente George W. Bush está tentando salvar seu legado ambiental.

The New York Times |

Pode ser estranho, mas é verdade. Bush, que se manteve indiferente à saúde de continentes e da atmosfera, entrará para a história como o protetor dos oceanos.

Na terça-feira, ele escolheu três enormes áreas do oeste Pacífico como monumentos nacionais, declarando que seus peixes, aves, corais e outras vidas marinhas são mais importantes do que a pesca comercial, a perfuração em busca de petróleo e a extração de minerais. As águas protegidas circundam as ilhas Mariana do Norte (incluindo o estreito de Mariana, o cânion mais profundo da Terra) e partes de uma coleção de corais e atóis conhecidos como ilhas Line.

Eles fazem parte de um deslumbrante mundo de vulcões submarinhos, corais perfeitos, focas, tartarugas e baleias em extinção, além de cadeias alimentares intocadas e dominadas pelos tubarões. Ao proteger quase 5.17997622 × 1011 m² de oceano, uma área muito maior do que a Califórnia, Bush superou sua decisão de 2006 de preservar 3.62598335 × 1011 m²  das ilhas do noroeste havaiano.

Isso criou um único monumento maior do que a soma de todos os parques nacionais do país. Se julgarmos as ações de conservação presidenciais apenas pelo tamanho da proteção que ofereceram ao planeta durante seu tempo no cargo, Bush superaria até mesmo Thomas Jefferson e Theodore Roosevelt.


A medida, no entanto, tem suas ressalvas:

- O novo monumento não é tão grande quanto poderia ser. Bush poderia ter colocado suas fronteiras em qualquer lugar a 5km da costa dos territórios que cerca até 322km, onde acaba a jurisdição americana. Ele escolheu 80,5km, excluindo grandes partes de oceano.

- As proteções poderiam ser mais rígidas. Elas não proíbem a pesca recreacional, por exemplo, e não incluem águas acima do estreito de Mariana.

- Ainda que grande, o monumento não compensa pelos oito anos de políticas ambientais ruins, marcadas pela inércia em relação à mudança climática, o sacrifício de milhões de acres de terras públicas à exploração do gás e do petróleo, e a indiferença quase hostil em relação às espécies em extinção e ecossistemas fragilizados.

Com este histórico, por que ele decidiu criar este novo monumento oceânico mesmo diante da rejeição do vice-presidente Dick Cheney e do Conselho de Pesca Regional do Pacífico Oeste, um órgão conhecido por facilitar a pesca comercial predatória?

Nós podemos aceitar sua palavra de que esta é a coisa certa a se fazer, mas precisamos levar em conta que as áreas protegidas são distantes e não despertaram interesses corporativos cujas prioridades a gestão Bush tomou para si.

Não houve briga. Bush teve apenas que fazer uso do Ato de Antiguidades de 1906, que permite que presidentes protejam terras públicas com uma ordem executiva. Um troféu ambiental se mostrou fácil, e Bush, com poucos dias de presidência restantes, simplesmente aproveitou a oportunidade.

O presidente eleito Barack Obama terá que levar isso adiante. Ele deve ampliar o monumento ao limite de 322km e dar a ele total proteção contra pesca e outros tipos de exploração. Sua gestão também deve criar e expandir áreas marinhas protegidas perto de nossas costas.

Mas estas são apenas as tarefas fáceis em uma enorme lista de tarefas ambientais que ele tem pela frente, começando pela negligenciada luta contra o aquecimento global. O derretimento das calotas polares e a acidificação dos oceanos são ameças urgentes aos próprios peixes, corais e ilhas que Bush ultimamente acha importante proteger.

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