Editorial: O cruel veredicto da Coreia do Norte

O sistema de justiça falido da Coreia do Norte deu um cruel veredicto (12 anos de trabalhos braçais) às jornalistas americanas Euna Lee e Laura Ling. Depois de três meses de prisão em um dos campos de concentração para prisioneiros políticos mais desumanos do mundo, elas já pagaram um preço alto e injusto por seu trabalho. Ambas deveriam ser libertadas imediatamente.

The New York Times |

Ling, 32, e Lee, 36, foram detidas no dia 17 de março por soldados da Coreia do Norte que patrulhavam a fronteira do país com a China. Elas eram funcionárias da Current TV, uma companhia de mídia com base em São Francisco que foi fundada por Al Gore, o vice-presidente americano. Novos relatos dizem que elas reportavam sobre norte-coreanos em fuga do país (um assunto muito delicado) apesar da irmã de Ling ter dito à emissora ABC News que ambas trabalhavam em uma documentário sobre o tráfico de mulheres da Coreia do Norte para a China.


Jornalistas americanas foram presas na Coreia do Norte / AP

Seja qual for o caso, elas não merecem a sentença em um campo de trabalhos braçais onde, de acordo com ativistas de direitos humanos e desertores norte-coreanos, os prisioneiros são violentamente açoitados, passam fome e tem que trabalhar excessivamente. Sem acesso a advogados ou a um processo justo, as duas jornalistas não têm chance de defender a si mesmas.

Não sabemos quanto de sua situação é motivada pela saga da sucessão ou pela escalada das tensões entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos a respeito do programa de armas nucleares de Pyongyang. Mas sabemos que não há desculpas para sua prisão e para esta absurda sentença.

A Coreia do Norte mostrou clemência com americanos no passado. Em 1996, por causa de uma aposta de bêbados, Evan Hunziker nadou através do Rio Yalu da China e foi acusado de espionagem e preso por três meses. Ele foi libertado depois que Bill Richardson, então congressista do Novo México, viajou a Pyongyang, capital da Coreia do Norte, para pedir por sua liberdade. Em 1994, Richardson também negociou a libertação de um piloto americano cujo avião foi derrubado em solo norte-coreano.

Esperamos que a gestão Obama esteja trabalhando vigorosamente os canais diplomáticos disponíveis. Ele deve pedir à China, principal fornecedora de alimentos e combustíveis da Coreia do Norte, para que fale em nome das jornalistas e envie um representante americano para lidar com o caso diretamente em Pyongyang.

Deixar de libertá-las iria piorar as relações com o presidente Barack Obama, que assumiu o cargo comprometido a reavivar as negociações entre os países, e aumentaria os pedidos de sanções mais dura em Washington - e no resto do mundo.

Leia mais sobre Coreia do Norte

    Leia tudo sobre: coréia do norte

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG