Editorial - O caso Obama versus Reverendo Wright

Demorou mais do que deveria, mas nesta terça-feira Barack Obama rejeitou o racismo e a paranóia de seu antigo pastor, o Reverendo James Wright Jr., e deixou claro que o homem não representa suas políticas, sua campanha ou ele.

The New York Times |

O senador Obama teve dificuldades em explicar seu relacionamento desde que um vídeo mostrando Wright maldizendo os Estados Unidos de seu púlpito veio à tona. No mês passado, Obama disse em um discurso que desaprovava os comentários racistas de Wright, mas que o pastor ainda representava um grande papel em sua vida espiritual.

Essa foi uma distinção que pode não ter caído bem entre muitos de seus eleitores. Mas o que importou mais foi o poderoso comentário a respeito das relações raciais nesse país. Esperávamos que isso abrisse uma porta para um debate sério, saudável e muito necessário.

Wright não deixou isso acontecer. Nos últimos dias, em uma série de chocantes aparições, ele abraçou o anti-semitismo do Reverendo Louis Farrakhan. Disse que o governo manufaturou o vírus da Aids para matar negros. Sugeriu que a América é culpada do "terrorismo" e que realizou os ataques de 11/9 contra si mesma.

Isso não poderia ser lidado com um discurso sobre as complexidades da vida moderna. Exige sim, uma denúncia não ambígua - que Obama fez. Ele disse que as palavras de seu antigo pastor eram "absurdas". "Elas me ofendem", ele disse. "Elas ofendem todos os americanos, com razão. E devem ser denunciadas. E é isso que eu estou fazendo, claramente e sem equívocos, hoje".

Obama disse que está bravo por Wright ter sugerido que ele não foi sincero quando previamente criticou a postura do pastor. "Se o Reverendo Wright pensa que aquilo foi uma postura política, como ele mesmo disse, então ele não me conhece bem", disse Obama. "Com base em suas palavras de ontem, bem, posso dizer que eu não o conheço tão bem quanto achei que conhecia".

Em março, Obama tentou manter um difícil equilíbrio - ao dispensar qualquer senso de relação política entre ele e Wright, enquanto preservava sua relação pessoal claramente importante para sua postura religiosa. Na terça-feira, ele abandonou isso.

"Eu quero que essa coletiva de imprensa faça com que as pessoas tenham certeza que minha relação com o Reverendo Wright mudou como consequência disso", ele disse, acrescentando que se Wright falar novamente, não será em nome da sua campanha.

Esse foi o repúdio mais direto de um partidário declarado de que nos lembramos. Gostaríamos de dizer que irá finalmente tirar a carga racial dessa campanha. Mas não somos tão ingênuos.

É uma injustiça, um legado dos laços racistas da história dessa nação, mas afro-americanos proeminentes são constantemente chamados a explicar ou repudiar o que outros negros dizem a seu respeito, enquanto as figuras públicas brancas raramente, ou nunca, precisam lidar com esse fardo.

O senador John McCain continua a apoiar seu partidário branco, o pastor John Hagee, cuja teatralidade é similar à de Wright. McCain não tentou impedir um comercial de campanha racista - que usa imagens de Wright - na Carolina no Norte.

Se Obama é o indicado dos democratas, tememos que haverá muitos outros comerciais. Ele terá que repudiar as explosões e Wright muitas vezes ainda.

Esse país precisa de uma discussão aberta e saudável sobre raça. O repúdio de Obama a Wright é parte desse debate. Seus oponentes também têm essa responsabilidade - repudiar a campanha racista e garantir que ela pare.

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