Editorial - O acordo com a Coréia do Norte

Durante seis anos o presidente Bush rejeitou qualquer espécie de diplomacia séria com a Coréia do Norte e essa obstinação fez do mundo um lugar mais perigoso. Enquanto ele se recusava a negociar, Pyongyang produzia mais combustível para suas armas e testava equipamentos nucleares. Agora que os diplomatas americanos se estao livres para negociar, há uma grande chance que a Coréia do Norte seja persuadida a entregar suas armas. Isso faria do mundo um lugar mais seguro.

The New York Times |

O processo foi muito frustrante, mas na quinta-feira, depois de seis meses de atrasos (e da já esperada tolerância da Casa Branca), a Coréia do Norte apresentou para revisão e verificação uma declaração de 60 páginas de suas atividades nucleares. Nessa sexta-feira, os coreanos devem explodir uma torre de resfriamento em seu reator Yongbyon - sua fonte de plutônio.

Isso não passa de um teatro político - a CNN e outras redes foram chamadas para assistir ao procedimento - mas também representa um sinal de que o país, antes completamente fechado, busca aprovação internacional.

O presidente Bush, que rotulou a Coréia do Norte como parte do "eixo do mal" e descartou um acordo entre o presidente Bill Clinton e Pyongyang de 1994, manteve sua parte da barganha. Na quinta-feira ele revogou algumas sanções comerciais da época da Guerra da Coréia e afirmou que o país será removido da lista de patrocinadores estatais do terrorismo em 45 dias, caso coopera nos procedimentos de verificação.

Bush teve que ceder para chegar a esse acordo, aceitando até mesmo uma declaração que não representa o catálogo nuclear completo que a Coréia do Norte prometeu entregar. Muitas perguntas surgiram de tudo isso, como quais foram os limites da tentativa de Pyongyang de um programa nuclear baseado em urânio altamente enriquecido e que tipo de ajuda nuclear o país deu à Síria. Em setembro, Israel bombardeou um reator nuclear suspeito na região.

Os republicanos linha-dura estão furiosos, como era de se esperar. Nós também não confiamos em Pyongyang. Os líderes da Coréia do Norte oprimiram e empobreceram seu povo e ainda não sabemos se tomaram uma decisão puramente estratégica ao abandonar suas armas nucleares ou se estão simplesmente jogando com os Estados Unidos e seus parceiros diplomáticos para ganhar tempo.

As sanções revogadas na quinta-feira têm enorme importância simbólica para a Coréia do Norte, mas podem ser restituídos facilmente caso seja necessário. Nós também sabemos o que seis anos sem negociações geraram: uma sinuca de bico e plutônio suficiente para pelo menos meia dúzia de armas. Mas esperamos que Bush aplique essas mesmas regras em relação ao Irã.

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