Editorial: O 123 dos Emirados Árabes Unidos

Os Emirados Árabes Unidos superaram os outros países do Golfo Pérsico ricos em petróleo ao se tornar o primeiro a concluir um acordo obrigatório de cooperação nuclear com a administração Bush. Isso merece ainda mais congratulações por renegar o reprocesso de enriquecimento de urânio e plutônio. Esses são os processos chave para produzir combustível de reatores nuclear ¿ ou armas nucleares.

The New York Times |

Muitos países têm esse acordo ¿ conhecido no meio por 123 ¿ com Washington, o que os permite comprar reatores nucleares e combustível norte-americanos. Mas nenhum deles fez essa importante concessão.

Sob o Tratado de Não Proliferação Nuclear, todos os membros permanentes têm o direito de produzir seu próprio combustível. Mas as tentações são consideráveis e a tecnologia pode facilmente ser desviada (como no caso do Irã).

É por isso que a escolha dos Emirados Árabes Unidos é tão importante e por isso outros suprimentos nucleares deveriam incentivar seus clientes a fazer a mesma escolha.

A energia nuclear é uma forma de se dirigir às mudanças climáticas, e os países em desenvolvimento ¿ que concordam com as regras internacionais de inspeção ¿ devem ter o mesmo acesso à tecnologia nuclear que o mundo desenvolvido.

O presidente Bush promoveu a energia nuclear com grande animação, mas falhou notavelmente em desenvolver uma estratégia para garantir que a proliferação da energia nuclear não levasse a uma proliferação de armas nucleares. O presidente eleito Barack Obama e o novo Congresso deverão agir melhor.

Mais de 25 nações planejam construir instalações de energia nuclear pela primeira vez. Isso inclui a Arábia Saudita, que está negociando seu próprio acordo de cooperação com Washington.

Muitos desses países dizem que devem diversificar para encontrar novas necessidades de energia. E os maiores suprimentos nucleares estão ávidos para competir pelo seu negócio.

Muitas vezes esses países ignoram questões sérias como se mais instalações nucleares irão propor uma nova segurança e dispositivo de coleta e tratamento de lixo tóxico; e se os clientes subitamente entusiasmados estão agindo menos pelas preocupações com o aquecimento global ou com a recusa de reservas de petróleo e mais para aumentar o medo da ambição nuclear do Irã e seu apetite por seu próprio programa de armas.

O Congresso deve revisar o acordo com os Emirados Árabes Unidos antes que ele seja finalizado. Alguns legisladores levantaram questões preocupantes sobre bens militares ou usos potencialmente relacionados à energia nuclear transportados através de Dubai, um dos emirados, para o Irã. Os oficiais terão que explicar como pretendem fortalecer seus controles de exportação. Caso contrário, o Congresso deve retardar a aprovação ou colocar restrições mais duras no acordo 123 até que se tenha certeza de que a tecnologia norte-americana vendida aos Emirados não possa ser desviada de seu destino.

Também há algo de preocupante no inteligente lobby da campanha que os Emirados Árabes Unidos montaram para apressar a negociação.

O acordo estabelece um novo padrão importante e bem-vindo. Mas o Congresso deve se exercitar devido sua diligência com este acordo e com todos os outros que o seguirão.

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