Editorial - No último debate, McCain erra ao se manter fiel ao roteiro de Bush

Quando John McCain envergonhou a si mesmo no mês passado ao declarar que a base de nossa economia está forte, ele rapidamente alegou que se referia a sua crença no trabalhador americano (e deixou claro que qualquer um que discordasse disso seria pouco patriota).

New York Times |

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Depois de tudo isso, é uma vergonha que McCain não tenha mostrado propostas políticas que irão realmente ajudar os trabalhadores americanos. Ao invés disso, ele ofereceu as mesmas teorias enganadoras de que o governo está errado e o mercado correto que nos trouxe à crise atual.

O debate da noite de quarta-feira foi outra chance para McCain provar que está pronto para liderar este país e socorrê-lo de sua profunda crise econômica.

Reuters
Candidatos discutiram principalmente temas domésticos
Candidatos discutiram principalmente temas domésticos

Mas McCain se manteve fiel ao roteiro, e ao tom de sua campanha, ao mencionar uma alegação bizarra de que Barack Obama disse a um encanador em Ohio que queria tomar suas riquezas.

Numa alarmante acusação, McCain agiu como se fosse a pessoa realmente agredida. Ele disse ainda que recriminou todos os ataques a Obama feitos por seus representantes e partidários. McCain não mencionou que sua candidata à vice-presidência, Sarah Palin, é a agressora mais voraz (e certamente não repudiou sua absurda e repetitiva acusação de que Obama "vive cercado de terroristas").

Pelo contrário. No debate, McCain mais uma vez mencionou a insignificante associação entre Obama e William Ayers, um radical violento dos anos 1960 que trabalhou com Obama na diretoria de uma fundação beneficente. A idéia era fazer com que McCain parecesse irritado e desesperado, o que não surpreendeu, dada a situação de sua campanha.

O maior problema de McCain é que ele não tem boas idéias para solucionar os problemas urgentes do país. Seu grande discurso sobre a economia esta semana estava cheio de ideias ruins, começando por uma medida que cortaria a arrecadação fiscal, já ínfima, pela metade. Isso não irá salvar a economia, mas deixará o governo ainda mais endividado enquanto transforma a estrutura fiscal que beneficia os ricos numa que é ainda mais injusta.

McCain soou melhor ao dizer que pretende eliminar a tributação do auxílio desemprego em 2008 e 2009. Mas teria sido mais fácil acreditar nele (e seria melhor para os americanos em dificuldades) se o candidato realmente tivesse pressionado seu partido no começo do mês para ajudar a prorrogar os benefícios aos desempregados que estavam no fim.

McCain diz que quer ajudar os americanos ameaçados com a possibilidade de desapropriação usando dinheiro federal para comprar hipotecas que estão acima do valor do imóvel. Uma medida melhor (que não sobrecarregaria os contribuintes) seria permitir que uma corte de falências modificasse os termos do contrato da hipoteca. Obama há muito apoia esta mudança. McCain não.

Obama tem boas ideias (a curto prazo, responder à crise financeira; e a longo prazo, colocar a economia de volta nos eixos). Ele defende uma moratória de 90 dias sobre as desapropriações e mais dinheiro para os Estados e municípios, ambas essas medidas trariam alívio para muito além de Wall Street.

Obama quer aumentar o salário mínimo e equipará-lo à inflação. McCain quer tornar as isenções fiscais de Bush em algo permanente (um grande desconto para o 1% da sociedade que vive no topo).  Obama daria isenções fiscais às famílias de classe média e aumentaria a tributação para os ricos.

Não é que McCain não tenha mencionado empregos. Ele o fez, em seu grande discurso na terça-feira. Sua ideia (surpresa, surpresa) é que "a melhor forma para um presidente fazer isso é através de isenções fiscais direcionadas especificamente à criação de empregos".

Depois dos últimos oito anos, essa postura soa terrivelmente familiar aos milhões de americanos que ainda esperam por aquela promessa de prosperidade.

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