Editorial: Negócios como antigamente

Conforme Wall Street volta a ser rentável, seus investidores retornam ansiosamente aos negócios como antigamente. E mais importante, se preparam para os enormes bônus, como aqueles que encorajaram as decisões de risco que deram início à crise financeira.

The New York Times |

Este fato foi destacado no último domingo em um artigo de Gretchen Morgenson no "The New York Times", que descreve um novo estudo realizado por James F. Reda & Associates, uma consultora independente de Nova York. O estudo analisou planos de pagamento das 191 maiores companhias dos Estados Unidos no primeiro semestre de 2009. No lugar de buscar uma maior estabilidade a longo prazo, o relatório concluiu que a maioria das empresas tem programas de incentivo a curto prazo com verbas do pacote de resgate econômico.

O relatório abrangeu 21 empresas financeiras. Três, incluindo a Goldman Sachs, não relataram nenhuma alteração em suas políticas salariais. JPMorgan Chase, em contrapartida, colocou mais restrições ao pagamento de bônus, o que permite que o banco tenha mais parâmetros de comparação de performance e tenha que esperar mais antes de o pagamento ser efetuado.

Idealmente, os bancos deveriam ser livres para compensar seus empregados de acordo com suas regulamentações internas. Mas isso deve ser acompanhado de reformas que garantam que os bancos não podem mais ter lucros primariamente derivados de atividades especulativas e a partir de investimentos excessivamente arriscado. As reformas devem incluir a regulamentação do opaco mercado de derivativos e impor limites ao uso de dinheiro emprestado para aumentar os lucros.

A administração Obama revelou um amplo plano de reformas em junho. Mas o Congresso ainda deve combater os problemas de longo prazo. Enquanto isso, apesar da recente prova em contrário, o secretário do Tesouro Timothy Geithner disse ao "The Wall Street Journal" na semana passada que ele não acha que o sistema financeiro estava voltando às práticas anteriores que levaram o sistema ao colapso, acrescentando que "não vamos deixar isso acontecer".

Na ausência de uma reforma financeira global, no entanto, as regras são urgentemente necessárias para garantir que o pagamento de bônus aos executivos não seja um convite ao investimento de risco excessivo. Um recente projeto do Congresso deu início às negociações sobre essa questão. O Senado ainda tem de agir.

Geithner parece pensar que os americanos invejam os lucros de Wall Street por desconhecimento da importância da existência de bancos de sucesso. Este não é o ponto. Os americanos invejam os lucros que vêm às custas dos outros, como os contribuintes, que não usufruem dos ganhos mas perdem dinheiro na crise. Até que o sistema financeiro seja reformado para garantir que os antigos erros não sejam repetidos, os americanos têm todas as razões para estarem com raiva.

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