Editorial - Negociações na OMC revelam fragilidade da economia mundial

Com o desaceleramento da economia mundial, o aumento dos preços e o surgimento de um protecionismo passional em todo o mundo, vivemos um momento em que desistir de negociações internacionais pode ser algo especialmente perigoso. Infelizmente, os principais países exportadores parecem prontos a abandonar o esforço da Organização Mundial do Comércio em liberalizar os mercados, que já dura sete anos.

The New York Times |

As negociações, que tiveram início em 2001 em Doha, Catar, deveriam ajudar os países mais pobres. Um acordo abriria os mercados a seus principais produtos, como roupas e alimentos, e reduziria os subsídios rurais nos países ricos, que tiraram muitos pequenos fazendeiros do cenário. Depois de anos de vaivém, as negociações agora parecem ter atingido um ponto de estagnação.

Ainda que a relutância em diminuir os subsídios agrícolas na Europa e Estados Unidos sempre representaram o principal obstáculo às negociações, ficou claro que os grandes países em desenvolvimento também têm muita responsabilidade.

Em longos encontros nessa semana em Genebra, os Estados Unidos se ofereceram para diminuir ainda mais seus subsídios agrícolas (de US$ 48 bilhões para cerca de US$ 15 bilhões). A Europa (com a oposição da França) também apresentou novas propostas.

No entanto, grandes países em desenvolvimento, principalmente o Brasil e a Índia, insistem em cortes ainda maiores nos subsídios. Eles se recusam a apresentar qualquer oferta própria para reduzir suas tarifas sobre produtos industrializados e argumentam que os países ricos não abriram mão de muita coisa. Os subsídios agrícolas americanos, segundo eles, já caíram muito com o aumento dos preços dos alimentos, atingindo a metade do teto proposto.

Todo o processo pode ir por água abaixo. Essa é a última chance de se fechar um acordo durante a gestão Bush, dizem os especialistas. Caso as negociações não atinjam um progresso substancial, o novo presidente americano provavelmente ira preferir recomeçar do zero ao invés de retomar de onde seu antecessor parou.

Isso seria prejudicial e os países mais pobres sentiriam mais.

Menores subsídios agrícolas encorajariam os necessários investimentos no setor na África e outros países pobres que lutam com o preço dos alimentos. Modificar a dinâmica das barreiras de exportação de alimentos também faria com que os preços caíssem.

O fim das negociações de Doha também enfraqueceria a OMC num momento em que o mundo precisa de um orgão internacional confiável para mediar as dificuldades nas exportações e importações.

Se os países mais ricos cederem a tentação do protecionismo, os países pobres é que irão sofrer mais. Mas ninguém, nem mesmo os privilegiados, escapará dos prejuízos que serão infligidos à economia global.

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