Editorial: Nações desenvolvidas não atingem metas de ajuda aos países pobres

Boas intenções passam rápido, principalmente quando o assunto é ajudar os pobres do mundo.

The New York Times |

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Na virada do milênio, os líderes mundiais se comprometeram a diminuir a extrema pobreza do mundo pela metade e o índice de má nutrição e mortalidade infantil ainda mais do que isso. Em 2005, eles acrescentaram uma promessa de aumentar a ajuda ao desenvolvimento em US$ 130 bilhões ao ano até 2010 (cerca de US$ 151 bilhões em valores atuais).

Mas isso foi naquela época. Hoje, mesmo com o aumento no preço da energia e dos alimentos, que piorou ainda mais o sofrimento dos pobres do mundo, as nações mais ricas estão muito longe de atingir seus compromissos (e atrás do que já fizeram anteriormente).

A atual crise financeira pode dificultar ainda mais o cumprimento das promessas feitas por países ricos aos pobres. Sem esse dinheiro, muitos objetivos de desenvolvimento anunciados com alarde não serão cumpridos.

A ajuda aos países em desenvolvimento caiu cerca de 13% entre 2005 e 2007 (para menos de US$ 104 bilhões, depois da inflação). O orçamento agregado oferecido pelos países mais desenvolvidos soma 0,28% de seu produto interno bruto, muito abaixo da meta de 0,7% definida pelos líderes destes países em 2002.

Apenas a Suécia, Noruega, Holanda, Luxemburgo e Dinamarca atingiram essa meta. A ajuda externa do Canadá soma 28% de sua renda, a do Japão 0,17% e a dos Estados Unidos, vergonhosamente, está no final da lista, com 0,16% destinados à ajuda ao desenvolvimento.

Muitos países colocam muitas restrições a suas contribuições, como a exigência da compra de suprimentos de países doadores. (Ajuda em dinheiro geralmente cai nas mãos de políticos locais, tornando sua eficácia imprevisível e difícil de gerenciar pelas nações beneficiadas).

A ajuda não é a única área no mundo em desenvolvimento que não atingiu suas metas. Depois dos ataques terroristas de 2001, os países pobres reconheceram que a pobreza pode ser chão fértil para o terrorismo e prometeram abrir seus mercados às exportações das nações pobres. Essas promessas ruíram juntamente com as negociações de comércio mundial este ano.

Os pobres do mundo ainda precisam desesperadamente de ajuda. De acordo com um novo estudo do Banco Mundial, 1,4 bilhão de pessoas viviam na pobreza extrema em 2005.

Cerca de 25% das crianças com menos de cinco anos estão abaixo do peso no mundo em desenvolvimento. Seu índice de mortalidade é de 83 em cada 1 mil nascimentos, cerca de 14 vezes maior do que nas nações ricas. Além disso, qualquer ganho que tenha sido feito contra a pobreza pode ser desfeito pelo crescente aumento no preço dos alimentos.

Falando às Nações Unidas esta semana, o secretário geral, Ban Ki-moon, alertou que o mundo enfrenta uma "crise de desenvolvimento" e expressou seu temor de que as nações ricas fiquem ainda mais longe de cumprir seus compromissos. Nós compartilhamos este temor.

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