Editorial - Mundo se prepara para levar realidade à TV chinesa

A China fez de tudo para melhorar sua imagem antes dos Jogos Olímpicos do próximo mês: fechou fábricas para diminuir o nível da poluição, retirou algas de águas navegáveis, ameaçou críticos e jornalistas.

The New York Times |

Para conquistar o direito de sediar os jogos, Pequim prometeu expandir a liberdade de imprensa para repórteres estrangeiros e deixou implícito que abrir a China ao mundo ajudaria a expandir os direitos humanos mais amplamente.

Nunca saberemos se os líderes chineses realmente pretendiam manter sua palavra. O que sabemos é que o Comitê Olímpico Internacional, patrocinadores corporativos e governos de todo o mundo deveriam ter feito a China cumprir sua palavra. Eles não fizeram isso e o país entendeu esse silêncio como cumplicidade.

A China prendeu críticos, negou vistos e ameaçou organizações de notícias que a cobertura negativa poderia prejudicar suas chances de cobrir os jogos.

De acordo com o grupo Vigilantes dos Direitos Humanos, ao menos 10 jornalistas estrangeiros, incluindo o chefe de redação da revista Newsweek na China, receberam ameaças de morte anônimas desde que relataram a violência no Tibete. Autoridades do governo usam intimidação policial e suborno para silenciar os pais que exigem a responsabilização dos culpados pela fraca construção que levou ao desabamento de escolas que matou milhares de crianças no terremoto do dia 12 de maio na província de Sichuan. Centenas de pessoas foram despejadas de suas casas em Pequim conforme a cidade abre espaço para as equipes de TV internacionais.

Patrocinadores corporativos dos jogos parecem determinados a olhar para o outro lado. A maioria dos líderes mundiais, inclusive o presidente Bush, também mantém o silêncio. Nós aceitamos a decisão de Bush de participar da cerimônia de abertura dos jogos, mas não vemos sinais que mostrem que ele recebeu algo em troca.

Bush corretamente denunciou o genocídio em Darfur e pressiona por sanções internacionais a Robert Mugabe, por ter brutalmente roubado as eleições do Zimbábue no mês passado. No entanto, a China continua a apoiar Mugabe e o presidente do Sudão, Omar Hassan Al-Bashir. Na semana passada, Pequim impediu o promotor da corte mundial de acusar Bashir de genocídio por seu papel nos horrores de Darfur e vetou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU apoiada pelos Estados Unidos que colocaria sanções sobre Mugabe e seu comparsa.

Além da China, ninguém merece mais críticas do que o Comitê Olímpico Internacional, o chamado guardião do movimento Olímpico, que aceitou absolutamente todos os passos de Pequim.

O Comitê ainda tem tempo para exigir o mínimo de proteção (como uma central 24 horas para que jornalistas denunciem violações à liberdade de imprensa). Mesmo com toda a intimidação, defensores dos direitos humanos (e talvez alguns atletas) provavelmente irão usar os jogos para protestar contra a repressão chinesa. Pequim precisa saber que o mundo estará assistindo como o país lida com um pouco de realidade na TV.

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