Editorial - Mulheres, extremismo e dois Estados-chave

Recentemente o mundo recebeu dois lembretes do custo do extremismo. No Afeganistão, o presidente Hamid Karzai assinou uma lei que aprova oficialmente o estupro marital. No Paquistão surgiu um vídeo do Taleban publicamente açoitando uma jovem mulher que gritava por ajuda no Vale de Swat. O governo do país aumentou a indignação na segunda-feira ao aceitar a exigência do grupo terrorista e formalmente impor leis Shariah na região.

The New York Times |

Tal comportamento seria intolerável em qualquer lugar. Mas os Estados Unidos investem pesado em ambos os países, combatendo a Al-Qaeda e o Taleban e financiando programas militares e de desenvolvimento multimilionários.

Os casos representam uma brutalidade aprovada oficialmente que viola os valores americanos e as normas de direitos humanos internacionais. Eles também prejudicam as chances de construção de sociedades saudáveis e estáveis no Paquistão e Afeganistão.

No Afeganistão, veias políticas específicas estão em funcionamento. Karzai, cujo apoio popular despencou por causa de seu governo despreparado e corrupto, concorre à reeleição em agosto. A nova lei, que afeta assuntos familiares para a minoria xiita, parece ousada, particularmente repugnante e condescendente.

Segundo ela, a mulher xiita, a menos que esteja doentes, "é obrigada a cumprir os desejos sexuais de seu marido". Isto é coerção autorizada.

Se for permitida, tal regra (remanescência de decretos emitidos quando o Taleban governou o Afeganistão nos anos 1990) pode ter um impacto negativo nas leis que afetam a maioria sunita da população. Ao invés de defender a lei como fez, Karzai precisa garantir que ela seja reelaborada para refletir os princípios de liberdade e dignidade para as mulheres.

No Paquistão, o vídeo da jovem açoitada prova a natureza falida da estratégia do exército. Ao não conseguir derrotar o Taleban no campo de batalha, tentou apaziguar o grupo com um acordo de paz em fevereiro. Ele cedeu o controle de Swat, a 160km de Islamabade, e permitiu que seus métodos repressivos dominassem a região. A mulher foi castigada depois de recusar a proposta de casamento de um militante Taleban, afirmou o líder da Associação Peshawar.

Depois de resistir por semanas, o presidente Asif Ali Zardari se rendeu à pressão política e assinou uma lei que impõe a lei islâmica em Swat como parte de um acordo de paz. Nós duvidamos que isso irá trazer paz e certamente não irá melhorar a vida das mulheres paquistanesas.

É improvável que a mulher de Zardari (a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que foi assassinada) teria sequer considerado tal medida.
A lei encorajadora veio uma semana depois quando o Paquistão reinstaurou o juiz Iftikhar Muhammad Chaudhry, que publicamente rejeitou o promotor geral e outros oficiais em uma audiência judicial por não agirem no caso do açoitamento.

Esperamos que isso não seja apenas uma manobra e que seus partidários encontrem um jeito de denotar a necessidade de defender esta vítima como fizeram para que a volta de Chaudhry à Suprema Corte.

Muitos paquistaneses perderam tempo qualificando o vídeo como uma conspiração na tentativa de difamar o Islã e o Paquistão. Eles deveriam exigir que o exército (a mais forte instituição do país) os defenda contra uma insurgência que ameaça cada vez mais o Estado. Como seus líderes políticos e militares, o povo paquistanês vive um perigoso momento de negação sobre onde está o perigo real.

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